Economia que vem das nuvens


Projetos de construção têm ampliado a criação de sistemas que permitem captar, tratar e reaproveitar água da chuva até mesmo em casas, da descarga à lavagem do automóvel

Nesta época do ano, são comuns notícias sobre tragédias naturais provocadas pelas chuvas. Joga-se a culpa no governo, pela infraestrutura precária das cidades, e na população, por ocupar áreas indevidas e não dar um destino adequado ao lixo. No entanto, mais do que achar culpados, é preciso buscar soluções, de preferência que possibilitem o uso do recurso de forma racional e sustentável.

A arquiteta Flávia Soares, responsável por um estudo sobre a reutilização das águas das chuvas, tem empregado o sistema em seus projetos. Ele consiste na coleta da água de áreas impermeáveis, normalmente telhados, por meio da instalação de condutores verticais e horizontais. Ela é filtrada e armazenada em reservatório de acumulação (cisternas), que pode ser apoiado, enterrado ou elevado, como explica Flávia. “Ele pode ser construído de diferentes materiais, como concreto armado, blocos de concreto, alvenaria de tijolos, aço, plástico, poliéster, polietileno e outros”, diz.

O engenheiro da Equiflow Serviços Polivalentes, Geraldo Lafetá Rebello, diz que os reservatórios devem ser construídos conforme a NBR 12.217 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). E são necessários cuidados para evitar contaminações. “Como a chuva absorve materiais em suspensão em sua passagem pela atmosfera, muitos dos quais interagem quimicamente com a água, resultando em compostos às vezes tóxicos e prejudiciais à saúde, seu sistema de captação deve contemplar o descarte das primeiras precipitações, bem como ter separadores de materiais sólidos”, justifica.

Leia a continuação desta matéria:
Instalação exige cuidados
Técnica é pouco difundida

Bioarquiteto e diretor da Padrões Naturais Soluções Sustentáveis, Cristóvão Laruça diz que os sistemas de captação e reuso das águas pluviais funcionam de uma forma bastante simples. “Num primeiro momento, é necessário que exista uma superfície que vai captar a água da chuva. Essa superfície pode ser desde a cobertura de um prédio ao telhado de uma casa, quadras de esportes de condomínios ou escolas e até mesmo estradas e estacionamentos.”

Depois disso, o bioarquiteto diz que a água coletada é direcionada, por meio de calhas, canais ou tubos – dependendo da superfície de captação e do reuso da água – para um filtro. “Este pode ter também várias características, que variam do local onde está implementado o sistema ao tipo de reuso que se vai adotar.” Logo que a água passa pelo filtro, está então em condições de ser colocada em cisternas de armazenamento, que devem estar protegidas da luz solar e da entrada de qualquer forma de vida. “Dessa forma, é possível armazenar água sem que a sua qualidade seja comprometida”, fala Cristóvão Laruça.

O bioarquiteto confirma que essas cisternas podem ser construídas tanto acima do nível do solo, como enterradas. “Por fim, a água armazenada é bombeada para uma caixa de água no topo da edificação, separada da caixa de água da rede de abastecimento público”, completa.

UTILIDADE PRÁTICA

A água obtida por este método simples, mas pouco utilizado, tem grande aplicabilidade. “Seu uso é indicado para descarga de banheiro, lavagem de roupas e carros, irrigação, torres de resfriamento e outros usos não potáveis”, sugere a arquiteta. E a boa notícia é que qualquer tipo de construção pode ter seu próprio sistema de reuso da água.

Apesar disso, Flávia Soares faz um alerta. Segundo ela, o reservatório deve ser projetado de acordo com as necessidades do usuário. “E com a disponibilidade pluviométrica local, para não inviabilizar economicamente o sistema, que é bastante eficaz e torna-se mais atraente nas áreas de precipitação elevada”, completa.

Isso porque áreas com escassez de abastecimento e com alto custo de extração de água subterrânea inviabilizam a implantação do método. Tomado esste cuidado, a arquiteta diz que há dois fatores positivos no uso do sistema em áreas urbanas: “A redução do consumo de água e a melhor distribuição da carga de água de chuva imposta ao sistema de drenagem urbana.” A desvantagem, segundo a arquiteta, é a diminuição do volume de água coletada em períodos de estiagem.
Fonte : Estado de MINAS
Júnia Leticia

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