Yes, nós temos mais que bananas…


Para quem está aí na casa dos ‘enta’, não é difícil se lembrar da postura de quase ‘pedinte’ do Brasil nas negociações internacionais. Vivíamos mendigando ajuda, assinando uma carta de intenção depois da outra, prestando contas aos fiscais do FMI na tentativa de conseguir garantias de mercado para nossas exportações, encabeçadas pelo suco de laranja e o café.

O país foi mudando, os nomes no governo se alternando e, para espanto de alguns, o que era uma promessa para o futuro se instalou como uma agradável verdade no presente. ‘O futuro já chegou para o Brasil!’ As palavras são do presidente do Estados Unidos, Barack Obama, que nos visitou, foi tratado e nos tratou de igual para igual. Não é pouco, se considerarmos que, em visitas anteriores, fomos até chamados de Bolívia por presidentes americanos menos avisados…

A presidenta Dilma Rousseff pareceu estar determinada a recuperar o bom relacionamento junto aos Estados Unidos, um tanto desgastado no governo Lula por causa de atitudes como a atuação no caso de sanções ao Irã. A presidente, inclusive, retomou o processo de escolha da compra dos caças, dando à empresa americana Boeing, a oportunidade de conseguir um acordo, quando Lula parecia determinado a fechar o negócio com a empresa francesa, Dassault.

A própria imprensa norte-americana reconheceu que a viagem de Obama aconteceu num momento em que a crescente influência econômica do Brasil força os Estados Unidos a movimentar-se diplomática e comercialmente, tomando conhecimento da importância do país que é agora a sétima economia mundial. O quadro é ainda mais delicado quando os americanos veem a China ocupar o lugar que sempre foi deles, de maior parceiro comercial do Brasil. E assim, quem diria, o principal objetivo da viagem de Barack Obama foi econômico.

Para especialistas, a visita trouxe ganhos políticos para o Brasil, especialmente com a sinalização positiva dos Estados Unidos à pretensão brasileira de obter vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. O discurso de Dilma, cobrando o fim das barreiras comerciais, também, foi considerado uma marca positiva do encontro. Mas avanços concretos na agenda econômica e comercial foram limitados, por causa da relação conflituosa de Obama com o Congresso americano.

Filigranas políticas e econômicas à parte, o fato é que Obama encantou o brasileiro com seu discurso no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Elaborado de forma primorosa, com cada palavra e referência histórica previamente selecionadas, Obama esbanjou charme e carisma.

Mas é preciso ficar atento: Obama não é um brasilianista apaixonado. Bem orientado por sua assessoria, certamente ele utilizou determinadas citações para se aproximar do povo brasileiro. Referências populares para agradar o maior número possível de pessoas. Caso contrário, por que então, ele escolheria Paulo Coelho no país de Guimarães Rosa e Jorge Amado? Ou Jorge Benjor, na terra de Vinícius de Moraes, Chico Buarque e do maestro Tom Jobim?

Em síntese, a passagem de Obama e sua simpática família pelo Brasil abre um novo capítulo nas relações entre os dois países e foi acompanhada, de perto, pela repórter Maria Cláudia Santos. O mundo está de olho. A maior potência do mundo está mais próxima do Brasil. E como bem disse o próprio Obama: “a parceria entre os dois países está nivelada, sem um “sócio minoritário.”
Yes, nós temos muito mais que bananas…
Texto de Selma Sueli

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