O Brasil está pronto?



A Copa do Mundo de 2014 não está muito longe e reclamações sobre atrasos nas obras são várias. Na semana passada, foi a vez de o rei Pelé afirmar que o país está correndo um grande risco de passar vergonha por causa desses atrasos. Pelé disse também que a situação dos aeroportos é a que mais assusta. Logo depois da declaração do rei, o Comitê Organizador da Copa se pronunciou, concordando com as críticas, e a Infraero informou que fará os investimentos necessários para atender a demanda de passageiros até a data do evento e que diversas obras já estão em andamento.

Essa situação é sintomática: o Brasil tem que se ajustar para dar conta de responder às necessidades colocadas pela Fifa, para a realização do Mundial. E não pode demorar. Para este caso real – de um megaevento esportivo, que tem os olhos de todo o planeta voltados para ele -, os discursos não bastam. É preciso acontecer. E mais, o ideal é que aconteça com olhos voltados para o futuro. Isso é, a Copa do Mundo deve ser vista como um meio para que o país projete coisas boas para o amanhã, e não como fim em si mesmo. Aconteceu e acabou.

Em artigo publicado no Portal 2014 / Tudo sobre a Copa 2014!, o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, fala das vantagens socioeconômicas de um país sediar um megaevento esportivo como esse e destaca, baseado em estudos, os pontos em comum que fizeram com que Barcelona e Sydney se tornassem exemplos de cidades bem-sucedidas depois de receber acontecimentos dessa natureza.

Segundo Borges, foram cruciais para o sucesso dessas duas cidades: “Planejamento prévio (para reduzir a construção de obras a toque de caixa, a custo significativamente mais elevado); investimentos muito mais focados em infraestrutura urbana do que desportiva; revitalização de áreas urbanas degradadas; e promoção turística da cidade/país no exterior.”

Partindo dessas premissas, só aumenta a preocupação de que o Brasil não tenha o mesmo reconhecimento das cidades citadas. Afinal, os quatro itens pontuados pelo economista não têm sido “o forte” do nosso país. Principalmente, no que se refere ao planejamento, peça-chave de todo projeto exitoso. Basta lembrar que, até o momento, ainda não está decidido qual estádio abrigará a abertura do evento.

A infraestrutura urbana também é outra carência das nossas grandes metrópoles, especialmente no que se refere ao transporte (ônibus e metrô) e às estruturas viárias problemáticas, que convivem com insuportáveis engarrafamentos e inundam em épocas de chuvas. Outro desafio é a adequação do setor de serviços e de turismo, que precisa estar “globalizado”. Isso é, precisamos conseguir atender os turistas, não só em leitos, mas em línguas. Temos que investir também em segurança.

Por isso, é imprescindível a aceleração urgente do passo das obras e a correção do que já vem se mostrando complicado afinal, ainda temos tempo, apesar de pouco. Atentemos que, antes do Mundial, teremos a Copa das Confederações, em 2013, e o cenário precisa estar pronto. Lembremos também dos outros dois grandes eventos esportivos que o Brasil sediará: Copa América, em 2015, e as Olimpíadas, em 2016. Todos eles são oportunidades ímpares para projetar nosso país e mostrar ao mundo que temos muito mais do que futebol e carnaval.

* Diretor de Comunicação do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG)

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