‘A corrida do ouro: atalhos para a riqueza no Brasil’ Texto de Selma Sueli Silva


Destaque da Semana

Se há alguma coisa que todo mundo quer, sonha, persegue, seja rico ou seja pobre, essa coisa é o dinheiro, a grana, o vil metal…
Quem já tem, quer ter mais, quer acumular. Quem não tem, corre atrás, faz de tudo para conseguir.
Mas o fato é que dinheiro todo mundo quer: de uma forma ou de outra. Às vezes, mais de outra… e é aí que a coisa encrenca.

Mas afinal, quais são as formar de se enriquecer no Brasil?
Vamos começar pela ala mais carente, aqueles considerados da classe menos favorecida.

Para a maioria, a grande chance é o estudo. Estudar para ampliar horizontes, capacitar-se, conquistar novos espaços. Tem muita gente boa que segue esse caminho. Dá um duro danado, sua no trabalho e ainda dá um jeito de acompanhar os filhos na escola pública. Aperta daqui, sonha dali e, um belo dia, lá estão eles com o diploma de doutor. Aí, mais uma mexida daqui, um currículo dali e vem o tão esperado emprego que garante um salário no fim do mês.
A dignidade foi conquistada, mas daí a enriquecer são outros muito mais que quinhentos…

Ainda dentro dessa classe menos favorecida, temos famílias desestruturadas que somam à falta de dinheiro, às contas a pagar, à escola pública falida, somam a isso tudo a conta do traficante que vem e ó: lá se vai o garoto pegando um atalho para conseguir dinheiro aparentemente fácil. E até consegue por um tempo, mas a vida nesse território é estreita, sombria e curta, muito curta.

Já os filhos da classe média tentam seguir um caminho mais ou menos planejado pelos pais, para vencer na vida. Muitos conseguem e são o orgulho da família. Bom emprego, salário satisfatório. Outros se tornam empreendedores e levam a vida equilibrando receita e despesas, gastos e lucro.

Nessa classe social, infelizmente, também existem armadilhas. Pais que terceirizam os filhos enquanto apontam os menores abandonados nas ruas, sem perceber que eles mesmos abandonaram os próprios filhos. Aí está a armadilha, a mal disfarçada rebeldia juvenil: e o crack cai matando, literalmente.

E, finalmente, existem aqueles que já nascem ricos, os herdeiros de berços de ouro. O desafio, nestes casos, é faze-los entender que o patrimônio da família precisa de bons administradores a cada geração. Não é rara a história do avô rico e do neto miserável. E, o que é pior: alguns filhos acreditam que existe herança de pai vivo e já vivem por conta do dinheiro que, um dia, irão herdar.

São muitos e frágeis, os possíveis caminhos da riqueza nesse nosso Brasil. Mas, não podemos esquecer, onde há caminhos tem sempre gente tentando encontrar um atalho…
E esta semana foi pródiga em exemplos de atalhos para o enriquecimento, no Brasil:

Tem aquele camarada que tenta, ano após ano, enriquecer. Não consegue, então resolve entrar para a política e contribuir para o crescimento da nação. Como os ventos ajudam os bem intencionados, o patrimônio do camarada começa a crescer também. Foi o que aconteceu com o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Em quatro anos, o seu patrimônio cresceu 20 vezes, aparentemente graças ao faturamento da empresa de consultoria que criou em 2006 e em nome da qual comprou dois imóveis em área nobre de São Paulo pelo valor aproximado de R$ 7,5 milhões.

Palocci deve considerar esse fato corriqueiro, comum até, nessa terra brasilis, mesmo que o crescimento vertiginoso de seus haveres, tenha acontecido quando o ex-ministro da Fazenda era deputado federal, com potencial conflito de interesses entre seus negócios privados e a vida pública.

Questionado, ele deve ter se perguntado: só eu? E os outros?
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, em quatro anos, 75 parlamentares conseguiram um aumento de mais de 100% em seus patrimônios – só na região Sudeste. Fica difícil acreditar que o zum-zum-zum na Câmara é pra valer. Em plenário, com o voto aberto, que atire a primeira pedra o deputado que não tenha elevado significativamente seu patrimônio durante o mandato.

Há outros atalhos. Para aquele que não possui fina estampa capaz de lhe garantir um cargo eletivo e, ainda assim, deseja dinheiro fácil, o crime acaba sendo uma opção. Triste opção. A última é a modalidade de assalto conhecida como saidinha de banco. A Polícia Militar registrou cinco ocorrências de saidinha de banco em pouco mais de 40 minutos em Belo Horizonte, numa única tarde, e um total de R$ 70 mil reais foram levados pelos bandidos. A Polícia Civil estima uma média de 70 saidinhas por mês.

Para quem quer ganhar uma boa grana mas não quer passar pela saia justa do Palocci, não tem vocação para político, não pretende aplicar o golpe da saidinha de banco está realmente difícil ficar rico aqui no Brasil. Mesmo as profissões consideradas como boas opções no mercado, áreas como turismo, nutrição, educação física e fisioterapia, não conseguem garantir o emprego dos sonhos.
Em Belo Horizonte, nutricionista experiente ganha R$ 1 mil e 800, o mesmo que recebe um estagiário de engenharia. Metade desse valor, ou seja, 900 reais é pago a um estudante de turismo num bom estágio. Já o fisioterapeuta e o educador físico têm de viver com cerca de dois salários mínimos (R$ 1.090).

Mas calma, estamos no Brasil, nem tudo está perdido. Há uma última saída, um último atalho pra quem insiste em tirar o pé do atoleiro. A milagrosa MEGASENA!

Vai uma fezinha aí?

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