Como manter jardins e plantas saudáveis durante as férias


Para quem tem o costume de ficar muito tempo fora de casa, é preciso cuidado ao escolher as espécies, optando pelas que são mais resistentes à seca

 Antes de fazer as malas e pegar a estrada, certifique-se de que as espécies em sua casa são resistentes a longos períodos sem água. Investir em sistemas automáticos de irrigação facilita a manutenção   (Eduardo de Almeida/RA Studio)
Antes de fazer as malas e pegar a estrada, certifique-se de que as espécies em sua casa são resistentes a longos períodos sem água. Investir em sistemas automáticos de irrigação facilita a manutenção

Nas férias, uma das preocupações de quem tem plantas ou jardins é como mantê-los no período de ausência dos moradores. Para quem tem o costume de ficar muito tempo fora de casa, é preciso cuidado ao escolher as espécies, optando pelas que são mais resistentes à seca. Outra alternativa é investir em sistemas de irrigação. Essas são algumas das soluções sugeridas pelo paisagista e ambientalista Caio Zoza. Por isso, ao escolher as plantas, as das famílias das agaváceas, cactáceas e aizoáceas (que engloba a maioria das plantas suculentas) são as mais indicadas. “A yuca (Yuca elephantipes) também é uma das campeãs. Planta rústica, com pouca exigência de solo e água, e com baixíssima incidência de pragas e doenças, muito usada em vasos. A palmeira raphis, as orquídeas em geral, bromélias e cactos completam essa lista”, indica.

 

A professora de jardinagem Lúcia Borges recomenda atenção com a drenagem das plantas e o tipo de terra escolhido (Eduardo de Almeida/RA Studio)
A professora de jardinagem Lúcia Borges recomenda atenção com a drenagem das plantas e o tipo de terra escolhido

A professora de teoria da jardinagem do Instituto de Arte e Projeto (Inap), Lúcia Borges, afirma que para quem não tem tempo para cuidar das plantas ou costuma ficar muito tempo fora de casa o ideal é escolher plantas mais rústicas, que não exigem muitos cuidados, “como cactos e suculentas. Porém, ter um sistema de irrigação automatizado auxilia nesse cuidado”, completa.

Na área externa, Caio Zoza também recomenda o investimento na implantação de um sistema de irrigação automatizado. “Para as áreas internas, em vasos ou jardineiras, existem atualmente no mercado sistemas de irrigação pontuais (por gotejamento ou névoa d’água) que também podem ser automatizados”, comenta.

Quanto ao período que elas suportam sem água, isso vai depender das condições do ambiente – que envolvem aspectos como temperatura e umidade do ar – e características do solo – maior ou menor retenção de água, como aponta Caio. “A

O paisagista Caio Zoza recomenda mantas para controlar a umidade (Arquivo Pessoal)
O paisagista Caio Zoza recomenda mantas para controlar a umidade

yuca pode suportar semanas sem regas, devendo receber pouca quantidade de água a cada 15 dias. Os cactos e suculentas aguentam até meses, sendo que nesse período ficam em dormência, ou seja, não crescem. As orquídeas e bromélias necessitam de pequenas borrifadas de água semanalmente.”

A paisagista Rozalia Magna Iris indica, ainda, o uso de um gel. Composto por 98% de água e 2% de celulose, ele deve ser enterrado nas raízes da planta. Ao entrar em contato com as bactérias do solo, seus compostos sofrem quebras, o gel passa para o estado líquido e libera umidade, lentamente, em um processo que pode durar entre 30 e 90 dias. “Outra alternativa é colocar uma garrafa d’água, com um pequeno furo, inclinada sobre o vaso, que, aos poucos, possa gotejar sobre a terra”, sugere.

LUGAR IDEAL 

As espécies chamadas suculentas são as mais indicadas para quem não tem hábito ou tempo para cuidar de plantas (Eduardo de Almeida/RA Studio)
As espécies chamadas suculentas são as mais indicadas para quem não tem hábito ou tempo para cuidar de plantas

A escolha do local onde fica a planta também é fundamental para garantir que esses cuidados tenham resultado, segundo Rozalia. “O problema de quem fica pouco em casa é que, além da irrigação, precisa aprender a lidar com a falta de oxigenação e de circulação do ar para as plantas que ficam dentro de casa. O local precisa ser bem ventilado e com boa luminosidade, sem insolação direta. Observadas essas recomendações, a manutenção fica mais fácil porque exige apenas regas a cada três dias.”

Lúcia Borges confirma que a escolha de um local adequado à planta influencia muito nos seus tratos e cuidados. “Se o ambiente for propício ao desenvolvimento de uma espécie, fica muito mais fácil sua manutenção. Se o espaço receber luz direta do sol, a planta escolhida deve apreciar essa condição, pois do contrário poderá ter suas folhas queimadas e sofrer atrofiamento.”

O lugar mais apropriado dependerá do tipo de planta escolhida, como informa Caio Zoza. “Os vasos, sempre que possível, devem ser colocados em locais arejados, e se colocados em locais com baixa incidência de luz solar, exigirão menor quantidade de água, devido à menor evaporação”, explica.

Espaço ideal para o verde
Escolha correta do solo e cuidados com a incidência de sol devem ser considerados por quem vai viajar e não tem ninguém para cuidar das plantas em casa

Plantas dentro de casa em pequenos vasos demandam atenção especial (Eduardo de Almeida/RA Studio)
Plantas dentro de casa em pequenos vasos demandam atenção especial

Seja por motivo de viagem ou simplesmente por não ter tempo para cuidar de plantas ou jardins, além de optar por espécies como a yuca, a cica revoluta ou palmeiras, o morador deve ficar atento à luminosidade e ao solo, que deve ser bastante arejado e com alto índice de matéria orgânica. Mesmo em apartamentos, esses cuidados são essenciais. “Não deve ser abafado e nem com correntes de vento. Caso o ambiente tenha cortinas ou persianas, sempre que possível, deixe-as abertas. As plantas escolhidas devem ser adequadas ao ambiente”, explica a professora de teoria da jardinagem do Inap, Lúcia Borges.

Outro cuidado é que o recipiente ou canteiro deve ter profundidade suficiente para o desenvolvimento das raízes. “Caso seja utilizado vaso, canteiro ou jardineiram, a drenagem também é fundamental. A mistura de terra deve ser apropriada à espécie escolhida. Atualmente, é possível incorporar à terra vários ingredientes e adubos que ajudam o solo a não compactar e nutrir por mais tempo as plantas”, comenta Lúcia.

O principal, para a paisagista Rozalia Iris, é observar se a espécie escolhida é resistente ao ambiente disponível em que ela vai ficar. “Qualquer espécie que é colocada no local adequado vai exigir menos cuidado. É importante conhecer as necessidades das plantas para ver se serão adaptáveis ao lugar existente. Lembrando que plantas de interior exigem um carinho especial, porque são acondicionadas em vasos e esse fator limita muito seu desenvolvimento por causa do volume baixo de terra.”

Outra solução é apostar nos jardins verticais, muito comuns atualmente, como sugere Lúcia Borges. “Apesar de serem compostos com vários tipos de plantas, inclusive as samambaias, que apreciam água com frequência, esses jardins são ótimas soluções para quem não tem tempo. Isso porque um sistema de irrigação automatizado pode ser inserido neles.”

A irrigação automatizada pode ser instalada em vasos, canteiros e paredes. Para isso, são necessários pontos de luz e água próximos aos espaços destinados ao verde. “O uso da iluminação artificial nas plantas deve ser feito com cautela, porque algumas lâmpadas podem provocar queimaduras nas folhas. As luminárias devem ser posicionadas com mínimo de afastamento das plantas (em torno de 50 centímetros), principalmente das folhas”, orienta Lúcia.

BEM NUTRIDAS 

Deixar cortinas abertas para a luz solar entrar é fundamental para a saúde das plantas durante a viagem, assim como evitar locais abafados (Eduardo de Almeida/RA Studio)
Deixar cortinas abertas para a luz solar entrar é fundamental para a saúde das plantas durante a viagem, assim como evitar locais abafados

O paisagista e ambientalista Caio Zoza recomenda o uso de produtos como os adubos de liberação lenta, que, além de reter água e liberá-la aos poucos, libera nutrientes de acordo com a necessidade da planta. “Esses produtos reduzem em muito os cuidados com as plantas, mas, sempre que possível, o proprietário do jardim ou vaso deve solicitar a visita de um profissional para avaliar as reais necessidades das plantas. O substrato escolhido também influenciará na maior ou menor retenção de água, e, assim, aumentar a periodicidade de cuidados com as plantas.”

O paisagista aponta, ainda, mantas porosas que são cheias com água e a liberam por umidificação. “São verdadeiros colchões de água com microporos que necessitam de pouca água para seu enchimento e a liberam gradativamente, mantendo o solo sempre úmido. Essas mantas também diminuem o excesso de ‘matos’ que emergem entre as plantas ornamentais inseridas, facilitando ainda mais a manutenção do jardim”, explica o paisagista Caio.

Apesar dessas recomendações, o ideal, segundo Rozalita, é se organizar e dedicar um pouquinho de tempo para cuidar das plantas, conforme Rozalia Iris. “Desenvolver esse hábito pode ajudar a eliminar o estresse, trazer mais serenidade e bem-estar e, como qualquer ser vivo, elas exigem um pouco de dedicação. Essa interação com o reino vegetal é essencial para o ser humano. Existe uma troca muito benéfica de energia e purificação do ar que respiramos.”

Ajuda profissional no planejamento

Para escolher de forma adequada o melhor método para manter as plantas saudáveis por longos períodos, o ideal é contar com a ajuda de profissionais. “Os sistemas de irrigação automatizados devem ser projetados por especialistas. Existem hoje no mercado controladores de regas que podem ser acoplados diretamente na torneira. De fácil instalação, utilizam pilhas alcalinas e possuem programas de regas para diversas vezes ao dia e durante toda a semana”, indica o paisagista Caio Zoza.

Um pouco de dedicação ao verde pode ajudar a diminuir o estresse (Eduardo de Almeida/RA Studio)
Um pouco de dedicação ao verde pode ajudar a diminuir o estresse

É o profissional quem poderá indicar, por exemplo, o melhor uso de adubos de liberação lenta, que são adicionados diretamente no solo e têm grande autonomia. “São em forma de pó ou granulados e, em contato com a água, transformam-se em gel, que gradativamente libera água e nutrientes as plantas. Aumentam, assim, o intervalo de regas e ainda mantêm as plantas nutridas dos elementos indispensáveis ao seu desenvolvimento.”

E para o paisagista, não há desvantagens no uso desses recursos. No caso da irrigação, além de economizar a quantidade de água utilizada nas regas, evita que se gaste muito tempo para se fazer o serviço. “Além disso, as plantas recebem a quantidade de água necessária e em horários em que a evaporação é menor, ou seja: podemos programar para as plantas serem molhadas em horários como antes de o sol nascer e após o pôr do sol”, diz Zoza.

COMPLEMENTO 

No caso dos géis, a orientação profissional para sua aplicação é fundamental para que seu efeito seja o desejado. “É importante salientar que os géis, aliados a um bom sistema de irrigação, aumentam o intervalo entre as regas, economizando, assim, a quantidade de água e energia elétrica utilizadas. Logo, são produtos e sistemas complementares e de alto impacto ecológico. Além disso, facilitam em muito a manutenção do jardim, possibilitando ao proprietário se ausentar por maiores períodos.”

Rozalia Iris confirma que uma grande vantagem da irrigação automatizada é a economia de água, porque só irriga com tempo programado. “E de mão de obra, que é eliminada com esse sistema. Para isso, no início do projeto, é preciso desembolsar um pouco mais, que será compensado no futuro com a economia. Também é preciso contratar uma empresa ou profissionais com experiência de mercado.”

Palavra de especialista: Cada planta em seu lugar

Erly Hooper – Paisagista

“As plantas ideais para quem costuma ficar muito tempo fora de casa são zamioculcas, a sansevieria e a yuca, que suportam até 15 dias sem água. Para essas pessoas, o recomendado é retirá-las do local ensolarado para um mais fresco e sombrio para evitar o ressecamento. Em ambientes internos, a indicação é que fiquem em lugares mais iluminados e sejam usadas espécies apropriadas para locais sombrios. Já em jardim, a aposta são nas espécies mais rústicas e resistentes, como agaves, imbes, dracena e palmeiras. Sistemas de irrigação automatizada podem ser inseridos no projeto paisagístico a fim de auxiliar na manutenção das plantas, principalmente quando o tempo é curto ou é necessário se ausentar por algum período. Mas antes de optar por essa solução, aconselho a contratação de ajuda especializada em projeto de irrigação. Há várias empresas e profissionais no mercado para isso. Assim, o ideal é pesquisar com dois ou três deles para fazer uma boa escolha, além de contar com indicação. O valor da consultoria e dos equipamentos vai depender do projeto, da metragem a ser trabalhada e da solução escolhida.”

POR: Júnia Leticia – Estado de Minas

 

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