Cresce aposta em imóveis como forma de investimento


Potencial de valorização e rentabilidade maior que muitas aplicações financeiras têm atraído compradores

 

 (Beto Novaes/EM/D.A Press)

Com a queda significativa de juros no ano passado, a compra de imóveis por financiamento está mais viável e fácil. Em 2012, a Caixa Econômica Federal anunciou que para imóveis de até R$ 500 mil, no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), os juros caíram de 10% para 9% ao ano. Já para os imóveis que estão fora do SFH, os juros foram reduzidos de 11% para 10%. Com isso, as pessoas têm um incentivo a mais para investir em imóveis não apenas para moradia.

Esse é o caso do empresário Marcelo Eid Linck, que viu no cenário atual uma oportunidade para diversificar seus investimentos. O local escolhido é uma das regiões que mais têm potencial de valorização em Belo Horizonte: o Vetor Norte. “A localização foi estrategicamente escolhida. O apartamento fica no Bairro Planalto, próximo à Linha Verde, em frente à Estação BH e com vista para a nova Catedral Metropolitana, projetada por Oscar Niemeyer”, conta.

O empresário Marcelo Eid Linck viu no cenário atual uma oportunidade para diversificar seus investimentos  (Eduardo de Almeida/RA Studio)
O empresário Marcelo Eid Linck viu no cenário atual uma oportunidade para diversificar seus investimentos

A aposta se dá pelo fato de que as construções não se desvalorizam. Pelo contrário, tendem à valorização ou, pelo menos, à estabilização dos preços, como confirma o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-Minas), Paulo Tavares. “Tem 46 anos que mexo nesta área e não conheço, nesses anos todos, ninguém que tenha comprado um imóvel e tenha perdido dinheiro. Muito pelo contrário.”

Mesmo com a taxa de juros baixa, Tavares diz que o setor de imóveis é um bom investimento. Um dos motivos para isso é a falta de terrenos em Belo Horizonte. “Além disso, imóvel é um bem durável, é um ativo real. Em 2010, o Creci fez um levantamento que apurou o crescimento em 10 anos do mercado e o resultado foi que houve imóveis em bairros populares que se valorizaram 470%. Hoje, o imóvel continua tendo alta. Como exemplo, houve aumento dos aluguéis.”

PATRIMÔNIO 

Pesquisa realizada pela Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG) e pelo Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas (Ipead) da UFMG, divulgada em dezembro, confirma a valorização dos aluguéis. Segundo o levantamento, de janeiro a novembro, a inflação acumulada em Belo Horizonte (IPCA-Ipead) foi de 5,21%. No mesmo período, a valorização do aluguel residencial em Belo Horizonte chegou a 6,75%.

Assim, muitos investidores – como os profissionais liberais – consideram imóveis como uma espécie de previdência privada. “São pessoas que compram para aplicar o dinheiro. Tenho uma carteira muito grande de aluguel. Além disso, mineiro foi educado a deixar patrimônio para filho. Isso é tradição”, diz Tavares, que também é diretor da Sótão Imóveis.

Um de seus clientes é o médico Gilberto Lemos, que desde 1998 aposta no segmento. “Tenho um histórico familiar de reserva e investimento e acredito que, ao investir em imóveis na planta, o trabalho sempre é mais bem remunerado. E, como profissional liberal, é preciso fazer uma reserva, pois a capacidade de trabalho vai se reduzindo com o tempo”, admite.

Mercado promissor
Facilidade para financiar a compra de um imóvel e a grande procura por esse tipo de investimento fazem com que os imóveis valorizem ainda mais, conforme especialistas

Presidente da CMI/Secovi-MG, Ariano Cavalcanti destaca o cenário macroeconômico favorável (Eduardo de Almeida/RA Studio - 23/7/10
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Presidente da CMI/Secovi-MG, Ariano Cavalcanti destaca o cenário macroeconômico favorável

A valorização maior que aplicações financeiras e acima da inflação é o principal motivo apontado pelo conselheiro da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Ariano Cavalcanti de Paula, em favor dos imóveis. “Por isso, o investimento nesse tipo de negócio pode ser muito lucrativo.”

O fato de ser um investimento menos volátil faz com que esse panorama prossiga por um longo período, conforme Ariano Cavalcanti. “O cenário macroeconômico brasileiro também contribui, já que financiar um imóvel está cada vez mais fácil. A procura grande por esse tipo de investimento faz com que os imóveis se valorizem ainda mais e a locação apresenta um bom retorno dos investimentos”, ressalta Ariano.

O diretor da Construtora Casa Mais, Peterson Querino, acrescenta como ponto positivo o fato de ainda haver muitas oportunidades. “O mercado imobiliário ainda tem potencial para valorização e, com a redução da taxa Selic, muitos investimentos perderam suas vantagens, em alguns casos rendendo menos que a caderneta de poupança. Isso cria um movimento migratório de investimentos para o mercado de imóveis”, explica.

Quanto ao perfil dos investidores, Ariano Cavalcanti diz que não há como especificá-lo. “A maioria são aqueles que enxergam o potencial do mercado imobiliário e perceberam que o mercado financeiro tem a tendência de remunerar cada vez menos”, observa. Para Peterson, geralmente é o cliente que quer diversificar um pouco seus ganhos e está fugindo dos fundos de investimentos.

APOSTAS 

Foi essa confiança que levou a empresária Ruth Neves Ribeiro Lobo a apostar no setor. “Investir em imóveis ainda é uma opção segura e acertada. Estou sempre diversificando meus investimentos e o mercado imobiliário me atrai muito. É um investimento mais sólido, mais garantido.”

Assim como o empresário Marcelo Eid Linck, Ruth optou pelo Vetor Norte e o bairro escolhido foi o Planalto. “É uma região que tem crescido bastante”, observa. Além disso, a empresária não dispensou algumas precauções antes de fechar o negócio. “Comprei o imóvel de uma empresa em que confio muito. Procurei informações com amigos e os conselhos foram os melhores. Nesse ramo de investimento, é preciso ter muita certeza da segurança e da confiabilidade da construtora.”

“Novos vetores de crescimento vão aparecer para suprir essa escassez que temos nas regiões mais valorizadas” – Peterson Querino, diretor da Construtora Casa Mais

Peterson Querino, da Construtora Casa Mais, ressalta a necessidade de, assim como todo investimento, fazer uma análise e se informar. “É muito importante visitar obras da empresa da qual se está comprando o imóvel. Depois, o cliente precisa encontrar um imóvel que tenha o perfil que ele entenda como vantajoso e negociar um plano com a construtora”, explica.

O aumento da percepção de mercado por parte de investidores como Ruth Lobo e Marcelo Linck faz com que as expectativas em relação ao segmento imobiliário sejam as melhores possíveis, como projeta Ariano Cavalcanti. “Para os próximos anos, a tendência é de que os investimentos no setor imobiliário aumentem ainda mais, já que muitas pessoas perceberam a valorização que os imóveis têm.”

Aliado a isso, Ariano diz que o Brasil tem uma demanda muito grande por imóvel, que foi represada nas décadas de 1970 e 1980. “As melhoras no acesso ao financiamento também devem ser citadas. Tudo isso associado promove um incremento no mercado e, consequentemente, uma alta procura e a valorização.”

O diretor da Construtora Casa Mais também é otimista em relação ao mercado. “A expectativa é de valorização dos imóveis. Isso porque, apesar da valorização ocorrida nos últimos três, quatro anos, antes desse período o mercado ficou estagnado por quase 10 anos. Temos ainda a questão do crescimento da renda média da população, que vai incluir novos consumidores no mercado, gerando novas demandas e novas valorizações”, destaca Peterson Querino.

Mesmo com a fala de terrenos em Belo Horizonte e na região metropolitana, Peterson assegura que o setor está preparado para atender a demanda. “Novos vetores de crescimento vão aparecer para suprir essa escassez que temos nas regiões mais valorizadas”, informa.

PALAVRA DE ESPECIALISTA » Uma boa opção à vista

 (Arquivo Pessoal)
Pedro Seixas Professor, coordenador do MBA em Negócios Imobiliários da Fundação Getulio Vargas/IBS

“A queda dos juros contribui para atrair investidores para o mercado imobiliário, uma vez que as outras opções de investimento que estão atreladas à taxa de juros passaram a dar um retorno menor. Antes de investir em imóveis, no entanto, há que se analisar, entre outras coisas, as necessidades e objetivos do investidor. Via de regra, o investimento em imóveis deve ser considerado mais conservador. Entre os investidores, creio que há imóveis para os mais variados perfis, desde o mais conservador até o mais arrojado, que é aquele que, normalmente, aposta na valorização em curto prazo. Como em qualquer investimento, é muito importante que o investidor procure se informar sobre todas as condições que cercam essa decisão, que, no caso de um imóvel, vão desde as características físicas, geográficas e também as características econômico-financeiras. No caso de aquisição para renda ou venda futura, é muito importante que o investidor se informe no mercado quanto à procura por imóveis semelhantes ao que está adquirindo. Um imóvel que tenha boa procura sempre terá melhor liquidez, o que representará melhores resultados tanto para renda quanto para venda.”

Por: Júnia Leticia – Estado de Minas
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