Uso de namoradeiras na decoração ganha força em projetos que vão do clássico ao moderno


Por:Joana Gontijo – Lugar Certo

 

A arquiteta Viviana Lima diz que o móvel cabe em ambientes rústicos e contemporâneos, podendo até mesclar os estilos
 (Eduardo de Almeida/RA Studio)
A arquiteta Viviana Lima diz que o móvel cabe em ambientes rústicos e contemporâneos, podendo até mesclar os estilos

Um tipo de poltrona ou sofá usualmente planejado para comportar duas pessoas, não é de hoje que as namoradeiras ajudam a compor os ambientes. Nascida como o móvel para abrigar os pombinhos enquanto namoravam perto da família, atualmente ela agrada não só aos casais apaixonados, mas aparece em versões modernas, variadas e mais confortáveis para fazer um convite ao encontro e à convivência. Na decoração interna ou externa, misturando estilos e materiais, em formatos arrojados e sofisticados, este elemento naturalmente cria uma atmosfera romântica e aconchegante dentro de casa.

De acordo com a designer de ambientes Anna de Matos, a namoradeira é um pequeno sofá ou banco que ganhou esse nome por servir para os casais durante seus encontros, em que eram vigiados pelos pais. “Elas são móveis pequenos, para duas pessoas, e não possuem separação. Antigamente, alguns modelos eram desenvolvidos de forma pouco confortável, já que a intenção era dificultar a vida dos namorados. Hoje, podem receber estofamento e complementos como almofadas e mantas.”

Harmonia pode ser obtida com uso de mesas de centro ou laterais, segundo a designer de ambientes Anna de Matos
 (Eduardo de Almeida/RA Studio)
Harmonia pode ser obtida com uso de mesas de centro ou laterais, segundo a designer de ambientes Anna de Matos

As namoradeiras são mais usadas em salas de estar, varandas ou, para os mais privilegiados, nos quintais, jardins e pomares, continua Anna de Matos. Mas nada impede que o morador as utilize em outros espaços de preferência, como o hall de entrada, ou locais mais íntimos, como os quartos, pontua. “As namoradeiras oferecem charme e conforto para áreas internas e externas, tornando-se parte de um lindo e aconchegante cantinho para namorar, conversar ou simplesmente aproveitar um tempo juntos”, acrescenta a designer.

Produzidas desde entre os séculos 17 e 18, nas versões modernas as namoradeiras ganharam estética e formas diferenciadas, quebrando os desenhos tradicionais sem esquecer a funcionalidade do móvel, sempre com respeito ao desejo do cliente à atmosfera que se quer criar, salienta Anna de Matos. As namoradeiras já podem ser encontradas em diferentes materiais, passando por estruturas em madeira maciça, estofado, metal, madeira de demolição, alumínio, vime, gesso, até fibra sintética, explica. “É importante escolher o material de acordo com a área em que ela será instalada. Na parte externa, por exemplo, se a namoradeira ficar exposta a sol ou chuva, deve ser resistente e própria para esta situação, caso contrário o aspecto e a função da peça serão prejudicados.”

Para a profissional, quem geralmente aprecia este móvel gosta de estar rodeado das pessoas que ama, são aqueles que almejam sempre desfrutar momentos de boa convivência. Segundo Anna, uma composição mais harmônica pede que as namoradeiras sejam acompanhadas de mesas laterais e/ou mesas de centro, como um apoio para um chá, um café, som ou livros e, dependendo do objetivo, é necessária a utilização de outras poltronas. “Não é regra que esses outros móveis sejam do mesmo material que a namoradeira, mas devem seguir um estilo próximo”, ressalta.

Anna de Matos lembra que a decoração pode priorizar exclusivamente um estilo, ou pode ser o resultado de outras tendências agregadas ou pitadas delas. “Para uma decoração tipicamente romântica, podemos usar uma namoradeira de um modelo mais clássico, com traços mais curvilíneos, de madeira ou ferro forjado. As cores devem ser claras, neutras e pastéis. Nos estofados, mantas e almofadas, aparecem estampas florais, poás, axadrezados, listrados, ou até bordados, laços, tricôs e rendas. Acredito que as namoradeiras são uma boa alternativa para criar uma proposta aconchegante e charmosa para o ambiente.”

Na opinião da arquiteta Viviana Lima, esta peça entra como um diferencial no espaço, transformando sua configuração, como uma namoradeira clássica usada em uma composição moderna. Para Viviane, este elemento fica bem harmonizado em locais coletivos como salas e varandas, ou sozinho, como o protagonista de uma área externa, por exemplo. “Nos dias de hoje, as namoradeiras são encontradas em modelos de formas bem variadas, desde retas a mais trabalhadas e ornamentais, e feitas em diversificados materiais, até mesmo com a preocupação ambiental. Os acabamentos privilegiam o conforto, o que não ocorria antigamente, com o uso do couro e tecidos estilizados. E claro, as cores vão de acordo com o gosto e a imaginação de cada um.”

Para Viviane Lima, este móvel é mais tradicional, mas não por isso deixa de ser atemporal e, apesar de agradar mais, segundo sua concepção, a pessoas conservadoras, ele tem ganhado também o público jovem com as novas caras e roupagens. “As namoradeiras cabem em ambientes rústicos até os mais modernos, mas toda criação tem que ser cuidadosa. Os componentes do projeto precisam conversar entre si, e o resultado em termos de estilo geralmente está relacionado às formas, originais, delicadas ou retas, e aos materiais, pesados ou mais leves. Elas concebem um tom suave e de romantismo, ao mesmo tempo que remetem a história e antiguidade.”

“Ela funciona bem na configuração dos apartamentos atuais” – João Caixeta, designer

ALTERNATIVA

O designer João Caixeta esclarece que as namoradeiras também são conhecidas como loveseat (em inglês, assento do amor), confidant e sofá tête-a-tête. “Hoje em dia, elas oferecem praticidade e conveniência em espaços pequenos. Apesar do contexto histórico, a namoradeira também é popular por esses motivos. Muitos dos novos cômodos não comportam um tradicional sofá de três ou quatro lugares, e ela funciona bem na configuração dos apartamentos atuais.”

As namoradeiras são identificadas por comportar de forma íntima duas pessoas, continua João Caixeta e, seguindo essa determinação, elas podem assumir o formato de um sofá simples de dois lugares, até as clássicas em formato de S, onde os usuários ficam sentados quase de frente um para o outro. “Existe também a famosa namoradeira da casa Battló, de Antoni Gaudí. Nesta época, o projeto do imóvel era acompanhado por mobiliário exclusivo e criado pela mesma pessoa”, acrescenta o designer.

João diz ainda que a namoradeira figura bem em espaços iluminados e, geralmente, o uso convém a cantos onde podem substituir poltronas ou sofás. A composição com mesinhas de apoio lateral e plantas ornamentais cria um clima agradável e descontraído, na opinião do profissional. “A namoradeira é uma peça curinga que hoje é fabricada em vários estilos. Ela proporciona momentos intimistas para um bom papo. E o que vai determinar o tom do ambiente são os objetos decorativos auxiliares, a iluminação e, sem dúvida, a personalidade do dono da casa.”

Agradáveis para todos

Escolha do material vai depender do local da casa no qual ela será usada
 (Eduardo de Almeida/RA Studio)
Escolha do material vai depender do local da casa no qual ela será usada

Utilizadas originalmente para apresentar os casais à sociedade, mesmo que em alguns casos os pais também se sentassem ali para vigiá-los, as namoradeiras foram criadas para aproximar as pessoas, salienta a arquiteta Juliana Goulart. Na atualidade, este móvel incorporou uma grande variedade de estilos, indo do renascentismo francês ao art déco, do vitoriano ao modernismo, diz Juliana. “As namoradeiras clássicas do século 18 têm dois assentos lineares com medidas em torno de 70x70x40 cm e, já na passagem para o século 19, eram encontrados modelos com até três assentos. Agora, assumem uma diversidade de formas e acabamentos e, além de exercer a função de convívio e relaxamento, podem ser usadas como peça escultural.”

Para Juliana Goulart, as diferentes possibilidades de opções em namoradeiras fazem com que elas agradem a todo perfil de pessoa. “As namoradeiras clássicas podem ser um contraponto em um projeto contemporâneo, por exemplo, e, pontuadas no ambiente, não comprometem o contexto. Para explorar o clássico, surgem nas namoradeiras tecidos como sedas, veludos e florais, juntamente com complementos do mesmo estilo, tais como lustres de cristal, tapetes orientais e mobiliários antigos. Já as peças modernas podem conservar a ideia contemporânea do “clean”, em desenhos retos e com tecidos neutros, ressaltando o conforto e a função do móvel. Nesta linha, também podem se destacar pela forma arrojada e revestimentos vibrantes, conferindo personalidade ao conceito.”

Na Nuhaus, loja especializada em alta decoração, mobiliário e adornos de luxo, há 20 anos atuante no mercado de Belo Horizonte, é possível encontrar uma namoradeira vitoriana que faz uma releitura do estilo sofisticado que surgiu durante o reinado da Rainha Vitória, na Inglaterra do século 19. Com capacidade para três pessoas, em madeira maciça e couro preto capitonado, com o encosto trabalhado em formas rebuscadas, o móvel é um símbolo do requinte palaciano daquela época, o desejo da maioria dos integrantes da alta burguesia, como conta o gerente da loja, Beto Silva. “Esta peça segue as características daquele tempo, e hoje pode se encaixar em qualquer situação de decoração. A namoradeira surge como a vedete da sala, a cereja do bolo, completa a cena, significa sofisticação.”

Na Memoriabília Ad Vintage, empresa da qual o designer João Caixeta é sócio, também está disponível para venda, em cinco cores, fino acabamento e madeira certificada, a namoradeira Tangará. Com desenho de Marcelo Hermeto para AD Retrô , selo alternativo da Memoriabília Ad Vintage que privilegia o trabalho de novos designers com o olhar na qualidade reconhecidamente criativa dos anos 1950, o móvel foi desenvolvido através da cadeira com o mesmo nome. “Ela surge como alternativa para pequenos espaços, desempenhando com desenvoltura o papel de um objeto fácil de ser adaptado aos demais itens de composição que pede uma decoração contemporânea”, finaliza João Caixeta.

MEMÓRIA: Nascidas em berço de ouro

Cores do estofado ou mesmo o uso de mantas ajudam a dar mais charme e conforto à peça
 (Juliana Goulart/Reprodução)
Cores do estofado ou mesmo o uso de mantas ajudam a dar mais charme e conforto à peça

As namoradeiras surgiram na França de Luís XIV, explica a designer de ambientes Anna de Matos. Inicialmente, foram criadas para comportar as mulheres e seus vestidos volumosos. Devido à origem na corte europeia, elas se incorporaram nas casas como um charmoso elemento de decoração e, com o tempo, se tornaram o lugar oficial para os jovens casais namorarem na sala de estar, ressalta. Um ponto interessante surge com a expressão “segurar vela”, um dito popular comum desde a Idade Média. Em francês, uma das explicações da expressão (“tenir la chancelle”) se refere a criados que eram obrigados a segurar candeeiros durante as relações sexuais de seus patrões e se manter virados de costas para não ver o que acontecia, esclarece Anna de Matos. Entre 1500 e 1600, “segurar vela” passou a significar “ajudar em uma posição subordinada, desconfortável”. “E depois, enquanto os namorados se encontravam nas namoradeiras sob a vigilância de alguém da família da moça, geralmente um irmão, poderia-se dizer então que esse vigilante ficava segurando vela para o casal. Com o tempo, estas palavras serviam para designar o amante de um triângulo amoroso e, mais recentemente, o amigo solteiro que acompanha dois parceiros.”

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Ophelia Christina Marques Ferreira

Contatos: Cel 9335 1717 / opheliacmmf@hotmail.com
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