Maquetes facilitam vendas de empreendimentos imobiliários


Equipamento que fazia parte de estratégias de guerra na antiguidade, as miniaturas de projetos na atualidade se tornaram fundamentais no lançamento de imóveis na planta ou de condomínios fechados

Nas fotos, maquetes da construtora PDG em Minas Gerais (Maria Maia/Divulgação)
Nas fotos, maquetes da construtora PDG em Minas Gerais

Utilizadas na antiguidade pelos egípicios para reconhecimento de territórios ou pelos vikings, que enviavam espiões que reproduziam em miniatura os territórios a serem invadidos, e a partir daí traçavam a estratégia de ocupação, as maquetes recuperaram prestígio a partir do século 20 e conquistaram espaços na industria da construção civil e pesada na Europa nos anos 1930 e 1940, fenômeno que prossegue nas primeiras duas décadas deste século.

A partir de 1950, principalmente, japoneses, alemães e italianos começaram a introduzir essa “arte” no mercado imobiliário brasileiro, que eram feitas sob encomenda. Mas por se tratar de um trabalho feito então pelas habilidosas mãos de artistas, não havia um prazo definido para finalização das peças, e o serviço costumava durar meses a fio, o que prejudicava a apresentação de um produto final. Além disso, eram utilizadas técnicas rudimentares que as tornavam bonitas, mas pobres em recursos técnicos.

Em meados dos anos 1970, aproveitando a tendência que se fazia presente no mercado da construção civil, o paranaense Ademir Fogassa, filho de construtor, e já com algum conhecimento de projetos, mudou-se para São Paulo e seu primeiro emprego foi numa empresa de maquetes. Em um ano, ele se tornou profissional do ramo e logo depois criou sua primeira empresa, a Ademir Fogassa Maquetes, passando a unir o conhecimento técnico da construção à arte de reproduzir grandes obras em pequenos tamanhos, aliando talento à iniciativa empreendedora.

Desde então, ele passou a aplicar a sua experiência com profissionalismo para ganhar mercado, experiência que transmitiu aos herdeiros, segundo conta o seu filho, Fábio Fogassa. A partir dos anos 1980, os negócios se expandiram não apenas no Brasil como no exterior, e os projetos foram contratados por empresas de países como Portugal, Espanha e Estados Unidos.

A partir de 1990, com esse mercado já consolidado, segundo relata Fábio, praticamente deixaram de existir projetos prediais sem a apresentação em maquetes. Desse período em diante começaram a surgir máquinas e programas comandados por computadores, que permitem cortar os materiais utilizados com precisão, as chamadas router, impressoras com uma broca na ponta. “Com ela, é possível desenhar a fachada de um prédio, e fazer os recortes em madeira com a máquina”, destaca.

Mais recentemente, chegaram os equipamentos a laser, que facilitaram a execução de trabalhos mais perfeitos ainda e minuciosos. Nas montagens das maquetes são utilizados materiais diversos, como madeira MDF (aglomerado de pó de madeira), acrílico, colas e massas plásticas. A vantagem de uma maquete pronta, segundo assinala Fábio, é que permite ao cliente uma visão do que será a construção ou o projeto completo depois de pronto. Isso facilita ver detalhes do que se está comprando: “É muito diferente de uma foto ou uma imagem numa tela de computador.”

 (Maria Maia/Divulgação)

Quanto à mão de obra, as próprias empresas fabricantes de maquetes formam os profissionais com os quais trabalha: “Nossa empresa investe nas pessoas interessadas em aprender o ofício, tenham ou não noções de projetos ou construção. No final do curso, ela pode continuar na empresa ou se empregar em qualquer outra”, completa o empresário.

Luciana Bonuti, arquiteta da RKM Engenharia, diz que a maquete é um instrumento de venda utilizada em todos os empreendimentos da empresa: “É utilizada em marketing promocional.” Segundo explica, um imóvel na planta é de difícil entendimento para o cliente, pois quem tem o conhecimento para entendê-las são os engenheiros e os arquitetos. A maquete, segundo destaca, permite a visualização do espaço, da disposição de área externa e, em alguns casos, é possível reproduzir até mesmo o material a ser utilizado. Esses serviços são terceirizados, mas fazem parte do cronograma de planejamento de obras e ficam expostas nos estandes de venda de cada empreendimento.

E mesmo que faça a aquisição na planta, o cliente gosta de ver, pegar e sentir de alguma forma como será sua vida naquele espaço antes de fechar o negócio. “Essa é uma característica muito intensa no hábito de consumo dos brasileiros, sobretudo dos mineiros, destaca Tahís Castro, da construtora PDG. Para suprir essas necessidades sensoriais, a PDG instalou em suas lojas de Belo Horizonte apartamentos-modelo nas dimensões reais das unidades que comercializa e sempre redecora esses ambientes para mostrar aos futuros moradores diferentes formas de utilização dos espaços.

 (Maria Maia/Divulgação)

Mas a empresa utiliza também maquetes dos empreendimentos que são divididos em três linhas: città, Ville e Jardim. Ao entrar na loja o cliente já se depara com a maquete. Tahís explica que o uso dessas reproduções em pequenas dimensões ajudam a exemplificar o contexto dos condomínios.

Por: Elian Guimarães – Estado de Minas
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