‘Quem são os vilões do Brasil?’


Desde que estreou, no dia 20 de maio, ‘Amor à Vida’, a atração global das 9 da noite, vem dando o que falar. Tudo por causa do vilão Félix, vivido por Mateus Solano, um homossexual mau caráter. O ator explica que “As pessoas gostam dele porque o Félix é engraçado, mas o humor dele é movido por coisa ruim.”

Todo esse sucesso, emplacado em tão pouco tempo confirma o que se sabe desde mil novecentos e Odete Roitman: o brasileiro é louco por vilões de telenovelas. Que o digam os mais famosos: Nazaré Tedesco (Senhora do Destino de 2004); Laura Prudente e Renato Mendes (Celebridade de 2003) e, mais recentemente, em 2012, a Carminha de Avenida Brasil.

Agora, no ar, Félix incorpora vários dos componentes que o público gosta de ver na telinha. O personagem escrito por Walcyr Carrasco não tem limites, é amoral, sem noção, age por impulso, é inconsequente, covarde e parece não ter um pingo de amor no coração.

Mas há quem não goste da comparação que surge entre ele e a malvada Carminha. A crítica especializada explica que “Carminha, personagem de Adriana Esteves, convenceu todos de que ela era real, alguém que poderia estar do lado de cada telespectador, ser seu vizinho, ou qualquer um nos momentos mais desesperadores.”

Mas ver o Brasil acompanhar uma novela por causa de seu vilão, enviar cartas ao autor questionando suas atitudes, fazer campanha nas redes sociais para mudar o rumo da história nos faz pensar: Por que esse mesmo envolvimento não acontece diante do vilão nosso de cada dia, real, verdadeiro, de carne, osso e ação?

É muita maldade que o brasileiro tem de enfrentar sem direito à uma natural proteção ao mocinho, como acontece nas novelas. Sem ter a certeza de que o vilão vai se dar mal no final. Prestem bem atenção em algumas, só nesta semana:

Polícia Civil cancelou concurso realizado para cerca de 25 mil candidatos a 95 vagas de perito criminal.

O que será da sociedade caso o Supremo Tribunal Federal decida mandar para casa milhares de presos que cumprem pena em situação irregular, por falta de vagas nos presídios?

Terminou o prazo para que prefeituras implantassem o Portal da Transparência, mas 76% dos municípios não cumpriram a determinação.

A Justiça mandou soltar sócios e músicos envolvidos em incêndio na boate Kiss, que matou 242 jovens e feriu outros tantos.

Adolescente de 14 anos foi apreendida junto com outros cinco jovens depois de tomar um veículo de assalto. Mas, aos risos, a garota contou que essa é a adrenalina da vida dela.

E, como se nada disso fosse suficiente, o golpe fatal. O brasileiro trabalhou até o dia 30, quinta-feira, só para pagar impostos. Foram 150 dias do ano de labuta para entregar o salário limpinho para o governo. A conta inclui todos os tributos – impostos, taxas e contribuições cobrados pelo governo federal, Estados e municípios. São itens como Imposto de Renda, IPTU, IPVA, PIS, Cofins, ICMS, IPI, ISS, contribuições previdenciárias, sindicais, taxas de limpeza pública, coleta de lixo, iluminação pública e emissão de documentos.

Até quando vamos assistir a tudo isso sem interferir no rumo da história? Até quando demosntrar simpatia a esses vilões, como acontece nas novelas?

Devemos e podemos mudar o final desse roteiro. Basta interferir no ibope, na audiência de cada político desse Brasilzão de meu Deus, que será testada nas eleições de 2014. E então? Vamos nessa?

 

Texto de Selma Sueli Silva

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