Projeto ‘Tapume com arte’ embeleza a cidade e ameniza o transtorno provocado pelas obras


Lançada em julho pela Fundação Municipal de Cultura de BH, iniciativa incentiva as construtoras a dar novo uso para as tábuas de madeira usadas nas áreas das construções

 

Coordenadora de marketing da Somattos Engenharia, Patrícia Freitas explica que o painel do artista Rogério Fernandes foi posicionado de maneira que não precise ser removido durante as obras (Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Coordenadora de marketing da Somattos Engenharia, Patrícia Freitas explica que o painel do artista Rogério Fernandes foi posicionado de maneira que não precise ser removido durante as obras

Só no ano passado foram concedidos mais de dois mil alvarás de construção em Belo Horizonte. O número confirma o aquecimento do mercado imobiliário e também prova que os tapumes ganham cada vez mais espaço na paisagem urbana. Mas agora vai ser de uma maneira diferente. Quem passar por um canteiro de obras terá a oportunidade de admirar painéis artísticos. Lançado em julho pela Fundação Municipal de Cultura (FMC), o projeto Tapume com arte incentiva as construtoras a dar novo uso para as tábuas de madeira. Em contrapartida, elas podem divulgar no local o empreendimento.

“O projeto nasceu, primeiramente, do desejo de fomentar a produção artística e depois da preocupação de normatizar o uso dos tapumes, recompensando a cidade pelo transtorno que as obras causam. Além disso, vamos surpreender as pessoas na sua rotina com um trabalho de arte”, resume o diretor da Diretoria de Patrimônio Cultural da FMC, Carlos Henrique Bicalho. Pelo Código de Posturas, as construtoras são proibidas de estampar logomarcas, além de divulgar informações e imagens do empreendimento no tapume. Aquelas que investirem em arte poderão incluir em metade do espaço marcas, telefones, sites e perspectivas do novo prédio.

A gerente de marketing da Patrimar Engenharia, Larissa Castro, aprova a iniciativa porque permite à construtora dar um presente para a cidade enquanto divulga o empreendimento, mesmo que ele já tenha sido totalmente vendido. “É interessante para a empresa ter sempre seu nome lá e informar para as pessoas do sucesso que foi o empreendimento. Às vezes, estamos construindo outro próximo, parecido com aquele, e conseguimos fazer um link de venda”, comenta. O tapume do Edifício Professor Danilo Ambrósio, no Bairro São Pedro, Região Centro-Sul da capital, vai receber fotos em preto e branco. Como é de alto padrão, Larissa entende que as imagens de época enobrecem ainda mais a obra. Até o fim do ano, todas as oito construções previstas devem participar do projeto.

CONSTRUÇÕES HISTÓRICAS 

Rogério Fernandes aparece na foto durante o processo de produção:
Rogério Fernandes aparece na foto durante o processo de produção: “Com muito orgulho sou o primeiro artista do projeto”, escreveu nas redes sociais

Em até 30 dias, deve ficar pronto o tapume da Patrimar Engenharia. A construtora contratou o fotógrafo mineiro Miguel Aun, detentor de um grande acervo de fotos de BH. As mais antigas são da década de 1940. A obra de arte temporária – o prédio está previsto para ser entregue em dezembro – será montada com imagens de construções emblemáticas da capital, entre elas Praça Raul Soares, Igrejinha da Pampulha, Edifício Niemeyer, Parque Municipal e Viaduto Santa Tereza, além de vistas aéreas. “É superválido para a cidade. A obra em si é poluída visualmente e a arte vai amenizar a paisagem brusca, escondendo um pouco da sujeira que se faz”, opina Aun.

A possibilidade de ver arte do tapume para fora encantou a equipe que trabalha na construção do Edifício Via Gasparini, da Somattos Engenharia, primeiro empreendimento a participar do projeto da prefeitura, no bairro Santa Efigênia. Feito com um material mais durável, o painel criado pelo artista Rogério Fernandes está posicionado de maneira que não precise ser removido durante as obras e os funcionários assumiram o compromisso de zelar por sua conservação. “Os desenhos mais flutuantes casam com os atributos do empreendimento, que traz o conceito de mudança e muitas possibilidades. O Via Gasparini tem mais de 10 tipos de planta”, explica a coordenadora de marketing Patrícia Freitas.

Depois que o prédio ficar pronto, em dois anos, a Somattos Engenharia pretende doar o tapume do Via Gasparini para alguma instituição que tenha interesse em mantê-lo.

Projeto democrático

Artistas de qualquer lugar do Brasil podem se cadastrar gratuitamente para participar do projeto Tapume com arte. As inscrições devem ser feitas no site bhfazcultura.pbh.gov.br, mas isso não garante que o artista será contratado, já que as escolhas ficam a critério das construtoras.

Por: Celina Aquino – Estado de Minas
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