P.H entrevista – MEG TAI


 

 

C.P – Meg, conte pra gente um pouco de você

Meg Tai é Pedagoga, militante feminista e das causas sociais
Meg Tai é Pedagoga, militante feminista e das causas sociais

Eu nasci em Santa Catarina, numa cidade chamada Canoinhas, no norte do estado. Eu já fiz tanta coisa e já vivi tantas outras que hoje são inimagináveis e me causam muita saudade. Quando eu era pequena acompanhava mamãe ordenhando as vacas, andava de carroça, trabalhava na lavoura. Aos 16 vim pra Curitiba casada, tive dois filhos e comecei a trabalhar de Agente de Saúde numa unidade de saúde em 2000 aqui no bairro onde moro. Desde lá eu conheci a parte sofrida das ocupações irregulares, das pessoas que eram mais pobres do que eu e isso me chocou muito. De lá pra cá são muitos anos de tentativas de fazer alguma coisa pela nossa sociedade e fui construindo minha teia de contatos

C.P – Quando se decidiu a ir nas redes sociais expressar sua visão política? O que te motivou?

Comecei na internet em 2005 quando comprei o primeiro computador. Como sempre gostei de humor eu fui procurar isso na web. Achei primeiro o site Humortadela, lá tinha uma seção chamada “Imagens” e cada dia tinha uma nova que possibilitava comentários e quando cliquei me surpreendi, porque achei uma turma lá que era muito boa, estão no meu perfil do Facebook, são grandes amigos virtuais. Hoje tenho reservas quanto ao site devido o conteúdo que não é mais minha praia. O humor brasileiro decepciona a cada dia. Humor tem que ser sério, [risos] humor é parte da democracia e humor com o mais fraco não deve nos gerar graça. Depois parti para conhecer as histórias, descobri que por exemplo o livro do Lula lendo de ponta cabela era farsa, aí eu comecei a investigar a imprensa, comecei a ver que existia uma outra história. Como já gostava de política foi só achar a turma socialista na rede e me engajar. Não procurei nada, não quis ser vista, fui achada. PH, eu não lembro quem achou quem e nem porque aqui, você lembra? [rindo]

C.P -Você acredita que as redes sociais podem mudar a visão dos usuários com relação a política?

Com certeza. Penso que a rede pode nos levar a algo que nunca tivemos que é a interação e o aprendizado construído junto. Me preservo o máximo de amigos que compartilham mentiras, ódio e coisas destrutivas. Isso não ajuda em nada. Não existe nada mais despolitizante do que a tal luta contra corrupção, apenas deixa o povo revoltado mas não resolve o problema. E isso a gente aprende junto, descobrindo quem é combustível da corrupção que são os grandes empreendedores que sequestraram a política e consequentemente os políticos. Não gosto do humor que oprime os mais fracos, da postagem de correntes que também é bem chata nas redes. Mas acredito que se fizermos a nossa parte os outros entenderão

C.P – O que você pensa dos protestos das ruas?

Penso que estava na hora, essa juventude está com o futuro comprometido e sabe disso só não sabe o que fazer, mas quer fazer. E isso é o mais importante. Nada tinha capitalizado gente, a questão do transporte foi o stopim. Apesar dos setores oportunistas tentarem sequestrar as manifestações acredito que foram neutralizados. Que a juventude faça o que ela tem que fazer. Eu estou com esperança que agora será

C.P – Você acredita que algo tenha mudado?

Mudou. Quem não percebeu não acordou. A nossa maneira de fazer política mudou. Os olhos e ouvidos estão mais atentos, como nunca antes na história [risos] deste país. Mais movimentos acontecerão, é só questão de tempo

C.P – No caso de mudanças, quais você acredita serem as mais importantes?

Eu cresci ouvindo falar da reforma política e isso seria muito importante se acontecesse, ela é a principal pauta de movimentos sérios, é através dela que frearíamos por exemplo a questão da corrupção. Com o congresso em maior número eu pensava que o PT colocaria isso em pauta, isso é urgente e necessário. A questão da terra, da reforma urbana, do transporte sem dúvida são as mais importantes. A grande luta para os trabalhadores é a anulação do PL 4330 (a legalização da terceirização) que é uma afronta aos direitos trabalhistas, é a luta que todos deveriam se ater e ir pra rua de novo

C.P – Como você vê a vinda dos médicos CUBANOS?

Vejo como positiva, o povo e o país como um todo tem a ganhar com a vinda deles. A prevenção das doenças é mais importante que a grande indústria da medicina não quer, chamo de indústria para não falar outra coisa que seria o certo, mas ofenderia os já tão coitados médicos escravos brasileiros. [risos] A saúde será olhada por outro viés, um que não a mercantilização da relação médico-paciente, isso tem que acabar nesse país. O corporativismo perdeu, e isso foi uma vitória do povo brasileiro. Acho que nós ganhamos muito, é uma nova fase do SUS. Vamos acreditar e fazer acontecer

C.P –  Se você pudesse dizer alguma coisa para a ‘’presidenta Dilma, O QUE SERIA?

Presidenta Dilma, demita os ministros que estão tornando seu governo refém do PMDB, e dos grandes poderes inescrupulosos desse país. Aos poucos eles vão chegando, e chegará um momento que você tem que dizer não presidenta. Se o PT não voltar a ser o PT se desintegrará assim como o PSDB. Acorda presidenta!

C.P – O que você pensa sobre o mensalão?

Eu não li os autos, ninguém leu. é um processo que só o STF tem acesso. Se eu não li, não entendo do assunto me apeteceu desde 2007 quando comecei a desconfiar das coisas que eu não iria atacar e nem defender os supostos mensaleiros. Parece que seria o correto a fazer haja vista que grandes juristas estão comentando a ação penal 470 e dizendo com todas as letras que José Dirceu foi condenado SEM PROVAS. Isso abre precedentes, inclusive a todos os empresários que um funcionário roubar e dizer que o patrão sabia o seu chefe será condenado pelo domínio de fato, isto é, por ouvir dizer. Muita gente que pediu condenação aos réus pode só se dar conta disso quando estiver passando pelo mesmo problema um dia. e não adiantará dizer que não sabia de nada, [risos] tomara que isso nunca aconteça com ninguém. Isso foi um show da imprensa e que o único objetivo é despolitizar as pessoas. De positivo essa dose de ódio não acrescentou em nada para o nosso país.

C.P -Você recebe muitas críticas nas redes sociais por conta da sua postura em defesa do governo?

Recebo sim, mas ninguém vê que eu critico, raras vezes. Por exemplo Paulo Bernardo entregou o Plano Nacional de Banda Larga às Teles, é o ministro adorado das telecomunicações, saiu na Veja elogiado. Isso só pode ser um mal pro governo Dilma e para o PT. Ele já provou que não quer diálogo com os movimentos sociais

C.P -O que você pensa sobre o trabalho que o ministério publico representa hoje na nossa sociedade?

Penso que é necessário, apesar aí de alguns não concordam muito que critiquem o ministério público, acredito na honradez dos seus representantes. Creio que podem fazer muito mais se o povo for dirigido a procurá-los sempre que saiba algo de errado em sua cidade ou estado

C.P – O que você tem a dizer sobre o papel que a juventude desempenha hoje na política em nosso país?

Eu estou com eles. Eles foram os que não se conformaram e querem mais, querem agora, cutucaram na ferida, agora é só terminar o que começaram. Eles não irão dormir tão cedo, isso podem esperar 😀

C.P – Você pensa em se candidatar a algum cargo político?

Recebi vários convites, já militei em alguns partidos por simpatia com as minhas lutas, eu penso antes me filiar em um que possa me receber com todas as minhas pautas, que não são poucas e que seja meu instrumento para realizar pelo povo excluído o que eu tenho em mente. Pode ser que mais para frente sim, eu pense nisso, agora ainda é cedo. Quero trabalhar muito ainda e se houver necessidade farei, não havendo eu continuo a luta na internet e na rua

C.P -S e sim…você acredita que é possível implementar novas ideias sem ter que fazer acordos com os demais colegas para aprovação de projetos que são contrários as ideias que você defende?

Na nossa política de bancada negociando com bancada é quase impossível ser independente. Nessa conjuntura eu não me animo por esse motivo. Eu queria muito que a reforma política fosse feita. Pode-se até fazer acordos, mas nem sempre agradarão o povo. Na política não há santos, é necessário dar para as pessoas o que elas precisam, não o que elas gostariam

C.P -Deixe-nos uma mensagem a respeito do que você deseja para o nosso país para os próximos 5 anos

Desejo que a classe trabalhadora alcance a cada dia mais a sua cidadania plena, com acesso à tudo o que ela sempre esperou. Que a mulher cresça ainda mais nas representações políticas do nosso país. Que possamos a cada mais ver a justiça social sendo efetivada nessa nação. Que os políticos que não trabalham para o povo mesmo que gastando suas fortunas não se elejam mais e assim possamos desvincular a política das amarras do grande e verdadeiro poder que é o capital. Aí teremos condições de viver num país melhor, para 5 anos já está muito bom né?

Abraço para todos e muito obrigada pela oportunidade PH, uma linda semana para todos nós!

Meg 

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