MULHERES RICAS LOTAM SHOPPINGS POPULARES DE BELO HORIZONTE


Uma das razões para a preferência da classe alta por produtos pirateados é manter o status pagando menos.

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Quem pensa que comprar produto falsificado é um hábito da classe C e D está enganado. As classes A e B também são frequentadoras assíduas de shoppings populares e estão entre as que mais consomem produtos pirateados no Brasil. Pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Data Popular mostra que seis em cada dez brasileiros compraram, no último ano, algum produto de marca que não fosse original. Do total de entrevistados, 55% mulheres. Mas o que impressiona mesmo é a renda mensal dessa mulherada. De acordo com o levantamento, 73% delas recebem mais de R$ 3.876.

A empresária Júlia Costa, de 31 anos, admite que frequenta shoppings populares em Belo Horizonte. Bolsas e óculos são seus preferidos e, segundo ela, poucas pesssoas desconfiam que os produtos são falsificados. “Quando eu era universitária passava muito perrengue, mas para ficar bem com as minhas amigas, que tinham pais ricos e só consumiam marcas, eu comprava tênis, bolsa, relógios… Tudo original! Dividia de 10 vezes e ficava o ano todo pagando. Mesmo assim, muitas meninas da minha faculdade custavam a acreditar que eram verdadeiros. Agora que ganho bem compro várias coisas piratas e ninguém desconfia. Já cheguei a comprar uma réplica de uma bolsa que na loja custava R$ 5.000 por R$ 250?, afirma.

De acordo com a psicóloga e terapeuta comportamental Paula Adriana Nonato, uma das razões para a preferência da classe alta por esse tipo de produto é manter o status conquistado pagando menos. “Pessoas de classes mais favorecidas buscam a todo custo prestígio e querem ser bem vistas e quistas na sociedade. Se elas fossem comprar uma bolsa original, por exemplo, com o mesmo valor elas podiam comprar duas, três bolsas bem parecidas e manter o status”. Por outro lado, Paula Adriana afirma que pessoas de classes mais baixas costumam comprar produtos originais, mesmo com muita dificuldade financeira, para serem aceitas ou chamarem atenção. “Muitas vezes, as classes C e até D compram um produto caro, original e pagam em várias prestações. De uma certa forma, elas querem ser inseridas nessa sociedade de status, de consumo de marcas, de valores”, afirma.

Para o professor de economia da PUC Minas, Ricardo Rabelo, o principal motivo pela preferência por produtos não originais é a tarifa alfandegária. “A alta carga tributária faz com que esses produtos pirateados ganhem o mercado com facilidade. A diferença do preço original para a cópia é muito grande”, explica. Ricardo também aponta falhas no sistema econômico. “Aqui no Brasil, alguns produtos são prouduzidos em baixa escala e muitos são importados. E esses produtos vindos de fora entram com preço alto no mercado. A taxação de impostos é um absurdo”.

A previsão é de que o consumo de piratas aumente ainda mais devido à alta do dólar. “A tendência é ficar mais caro e aumentar a procura por esses produtos. Isso por causa do dólar e da inflação. Mas essa mudança de cenário não deve ser imediata. Muitas lojas ainda estão com estoque, e para não perder o cliente, elas seguram um pouco o preço dos produtos importados”, comenta o professor.
Os homens também compram

Apesar de as mulheres estarem entre as principais consumidoras da classe alta, na média nacional, os homens são os que mais compram produtos que não são originais. Segundo a pesquisa do Instituto Data Popular, 58% deles afirmaram que compraram ao menos um produto pirata no último ano.

O engenheiro civil Dabyyã Moreira, de 28 anos, já comprou vários produtos falsificados e afirma que, no final do mês, faz diferença no bolso. “Eu já comprei CD, DVD, relógio, óculos e até tênis. Tem cópia que vale muito a pena. Já cheguei a economizar R$ 400 em uma única compra. E ninguém desconfia”. O engenheiro diz que a sociedade não associa bem uma pessoa de classe baixa usando um produto de marca. “Um funcionário meu, que trabalha como servente de pedreiro, comprou um tênis importado, dividiu de 12 vezes no cartão e o pessoal aqui pergunta se é original”, lamenta.

Dabbyã faz parte dos 61% dos brasileiros de 26 a 39 anos que admitem consumir pirataria. Quem mais compra, porém, é a faixa dos 18 aos 25 anos. Na outra ponta aparece a população acima de 60 anos, com a menor incidência (34%).
Polícia está de olho
A apreensão de mercadorias pirateadas tem crescido em Belo Horizonte. Só nos oito primeiros meses do ano já foram apreendidos mais de 11 toneladas em três grandes operações em shoppings populares da capital. Entre as principais mercadorias estão CDs, DVDs, produtos eletroeletrônicos, como celulares e videogames, além de roupas, material esportivo e bolsas.

As ações de repressão são comandadas pelo Grupo Interinstitucional de Combate à Pirataria (GICP), que conta com representantes do Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Receita Estadual e Federal, Prefeitura de Belo Horizonte e Instituto de Criminalística. De acordo com Mário Higuchi, coordenador do GICP, a pirataria tem sido algo difícil de combater. “As mídias caseiras são muito comuns, já é algo pulverizado. Hoje em dia qualquer pessoa consegue produzir um filme, um jogo. É algo muito difícil de se controlar”, afirma.

Recentemente, o Governo Federal divulgou como serão as ações do 3º Plano Nacional de Combate à Pirataria, em vigor no país até 2016. Serão priorizados o combate principalmente nas cidades que sediarão a Copa do Mundo. Entre as ações estão a implementação de um gabinete de gestão integrada e a ampliação do Programa Cidade Livre de Pirataria, criado em 2009, para “municipalizar” o combate à pirataria.

De acordo com informações publicadas no Diário Oficial da União, o trabalho será feito por meio de incentivos às prefeituras, que ficam responsáveis pela criação de mecanismos de prevenção e repressão. O plano cita ainda a capacitação de agentes públicos para atuar especialmente no combate às infrações nas cidades-sede, em parceria com a Fifa.

Fonte: Jornal O Tempo – Mábila Soares

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