Proposta que limita a garagem a uma vaga por unidade em BH


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Proposta que limita a garagem a uma vaga por unidade em BH impacta no setor imobiliário.Na contramão do crescimento da frota no país, projeto que pode virar lei na capital mineira acaba com conforto dos motoristas, dificulta ainda mais a tarefa de planejar o lugar para guardar carros e prejudica a venda do imóvel. Construtoras terão que pagar por vagas extras.

A facilidade de crédito leva os brasileiros a comprar mais e mais carros. Com isso, os novos apartamentos oferecem número maior de vagas de garagem. Mas uma proposta que pode virar lei em Belo Horizonte pretende acabar com o conforto dos motoristas. Integrantes da Conferência Municipal de Políticas Urbanas aprovaram, esta semana, a restrição de apenas uma vaga para cada unidade residencial ou comercial em Belo Horizonte, o que deve dificultar ainda mais a tarefa de projetar garagens. Até o fim do ano, o projeto de lei deverá ser encaminhado para a Câmara Municipal.

Pela regra atual, a área destinada à garagem deve ser calculada de acordo com o coeficiente de aproveitamento do terreno. Ou seja, quando o índice for um, o espaço para os veículos terá o mesmo tamanho do lote. Dependendo do número de unidades, pode-se chegar a três ou mais vagas por apartamento. Caso a mudança seja aprovada, o construtor terá que pagar para ter o direito de aumentar a área. “Seria preciso comprar metro quadrado de terreno para destinar para a garagem, o que sairia por preços absurdos. Uma vaga na Zona Sul chega a custar R$ 80 mil”, destaca o presidente da Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Otimar Bicalho.
Na visão do especialista, a mudança deve prejudicar o mercado imobiliário, considerando que a demanda por apartamento com apenas uma vaga é extremamente limitada. São poucos que aceitam morar em um imóvel no Centro sem garagem. “Ter vaga de garagem não significa carro na rua, você quer ter a disponibilidade de espaço. Ainda que não tenha três carros, o morador prefere pagar por todas. Vaga é uma facilidade”, comenta Bicalho. A área de garagem pode ser útil para uma visita, por exemplo. O presidente da CMI/Secovi-MG acredita também que ninguém vai deixar de comprar um carro porque não tem vaga de garagem em casa. Os novos veículos vão acabar ocupando a rua ou estacionamentos.
FOCO NAS ÁREAS DE CIRCULAÇÃO E MANOBRA DE VEÍCULOS

Para acompanhar a realidade brasileira, o arquiteto Tulio Lopes mudou a lógica dos projetos: passou a pensar na planta dos apartamentos a partir da área da garagem. Com carros grandes e terrenos apertados, a preocupação é incluir o maior número de vagas por metro quadrado. Uma das soluções é posicionar as caixas de escada e elevador no centro do estacionamento para que os veículos circulem em volta delas. “Os projetos de arquitetura também estão atrelados à questão estrutural em função da garagem. Utilizamos novos sistemas construtivos, que conseguem diminuir a quantidade de pilares e aumentar o espaço de circulação e manobra dos veículos”, informa. As lajes protendidas e nervuradas, por exemplo, permitem a criação de um vão livre entre a fachada e as caixas de escada e de elevador.

 

Túlio Lopes lembra que garagem ruim compromete a venda do imóvel, pois carro hoje é um objeto que faz parte da família (Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Túlio Lopes lembra que garagem ruim compromete a venda do imóvel, pois carro hoje é um objeto que faz parte da família

Segundo Lopes, atender a legislação vigente (que exige vagas de no mínimo 2,3mx4,5m) não é suficiente para oferecer espaços confortáveis aos veículos. “A maioria dos construtores se preocupam em atender a lei, porém, encontram dificuldade em comercializar as unidades. Garagem ruim compromete a venda do imóvel, pois carro hoje é um objeto que faz parte da família”, comenta. O arquiteto tenta sempre pensar em vagas maiores, com 2,5mx5m. Para facilitar a entrada e saída de veículos grandes em garagens apertadas, alguns condomínios passaram a oferecer serviço de manobrista. Só para ilustrar, uma vaga de garagem corresponde a 25². Considera-se a área usada para estacionar o veículo mais o rateio das áreas de circulação e manobra.

Fonte: Celina Aquino – Estado de Minas

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