Apartamento pequeno não significa falta de espaço


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Apartamento pequeno não significa falta de espaço; veja dicas para ampliar o imóvel. Projeto da arquiteta Luciana Andrade no Gutierrez, em BH, lança mão de ambientes integrados, móveis multiuso e perspectiva no olhar, para criar um lar totalmente funcional.

Viver em um apartamento pequeno atualmente já não significa morar com aperto. Acompanhando a onda dos imóveis com áreas que parecem ficar sempre mais reduzidas e, em contrapartida, a nova relação com o lar que vem da necessidade de estar um tempo maior dentro do ambiente doméstico, a arquitetura e o design trabalham para a total otimização do espaço, nos mínimos detalhes. A regra é aproveitar cada centímetro, e a criatividade dos profissionais não tem limites. Com auxílio da tecnologia, de mobiliários desenvolvidos para ser ao máximo práticos e essenciais, com intervenções simples de reforma e soluções conjugadas aos pedidos dos clientes, é possível ganhar medidas extras em projetos requintados, confortáveis e personalizados.

Este foi o desafio para a arquiteta Luciana Andrade no apartamento de uma família com dois filhos, no Bairro Gutierrez, em BH. Diante de uma configuração de cômodos confinados, armários pequenos e fechamentos de paredes e portas, o principal objetivo dos moradores era aproveitar ao máximo os espaços, unindo ambientes nas áreas de estar e aumentando em especial os quartos, para ter uma casa funcional. O imóvel foi comprado ainda na planta, e a mudança foi há quatro anos. Desde o início, Luciana acompanha o projeto e, com intervenções inteligentes que vão de mudanças construtivas de integração, aproveitamento de vãos, a aplicação de transparência e móveis multiuso, deu vida nova ao duplex.

Arquiteta Luciana Andrade teve o desafio de melhorar a sensação de amplitude (Euler Junior/EM/D.A Press)
Arquiteta Luciana Andrade teve o desafio de melhorar a sensação de amplitude

Pode soar estranho que uma cobertura que na verdade tem pouco mais de 156 m² seja um lugar diminuto. A justificativa está no fato de os moradores ficarem a maior parte do dia no primeiro andar, onde, em 78 m², estão distribuídos sala, varanda, cozinha, área de serviço, banheiro, suíte e outros dois quartos. O pavimento superior vai se transformar em uma área gourmet, e desta maneira será melhor ocupado, com os planos arquitetônicos que ainda estão em andamento. Embaixo, as melhorias são a união perfeita entre praticidade, aconchego, beleza e criatividade técnica.

INTEGRAÇÃO PARA ESTAR E CONVIVER – SALA E VARANDA

A primeira medida para ampliar o apartamento foi derrubar a parede divisória entre a cozinha e a sala e conquistar perspectiva no olhar, explica Luciana Andrade. “Não tenho a barreira visual, meu olhar a transpõe, se prolonga”. Ao mesmo tempo, retirar a antiga porta de correr em vidro que, ao lado, separava a sala da varanda, e não permitia ter uma mesa de jantar grande. Agora, encostada da parede do estreito ambiente (7,5 m², ou, 4,7 X 7,3 m), a mesa da Anno Design, com tampo em vidro e base desenhada em madeira maciça, é estrela. “Para aproximá-la da parede e não perder muitas cadeiras, cresci na mesa – tem sete lugares e substitui uma de oito”, elucida a arquiteta.

A metragem pequena não impediu a escolha por peças de grandes proporções, como a mesa de jantar e o plafon sobre ela (Euler Junior/EM/D.A Press)
A metragem pequena não impediu a escolha por peças de grandes proporções, como a mesa de jantar e o plafon sobre ela

Por trás do móvel, um painel escultural de autoria própria, desenhado exclusivamente para os clientes de Luciana, em MDF em laca fosca, alcança uma extensão maior que a mesa e confere a impressão ainda mais clara de longitudinalidade. “A peça setoriza a mesa e avança para a varanda, sem parecer que a está invadindo. Ao mesmo tempo em que se cria uma ambientação, a varanda acaba se incorporando à sala”, descreve Luciana. Outro detalhe intencional é a escolha pelo espaldar baixo das cadeiras, ou encosto, eliminando o que seriam sete obstáculos visuais. Compondo com a bancada da cozinha americana, dois banquinhos altos em acrílico transparente reforçam a mesma solução. “Em um ambiente que não é muito grande, tudo que não é volumoso é desejável. Se fossem bancos em madeira, pareceriam muito mais pesados, encurtariam a visão”, complementa.

Assista ao vídeo em que a arquiteta explica o projeto:

Na outra extremidade do ambiente de estar, duas poltronas Barcelona, ícones do design, são alternativa aos sofás de dois e três lugares, e cumprem eficientes a função.  A ideia de não ter os sofás deve-se a este ser um volume maior, que avançaria mais sobre a sala. “Normalmente um sofá de dois lugares tem 1,6 m por 0,9 m de profundidade,  e aqui não há espaço para isso. As poltronas dão uma profundidade menor, enxugando o espaço que o sofá tomaria”, explica a profissional.

Atrás das poltronas, a parede totalmente revestida em espelho aumenta a sensação de amplitude da sala. Em diálogo, a estante em módulos retangulares e a mesa de centro oval, também da Anno Design, completam a composição nesta parte do cômodo. “A mesinha, inclusive, foi um dos últimos itens a entrar aqui. Todos os formatos que experimentávamos atravancavam a passagem, ou muito grandes, ou pontudos demais. Essa é comprida, não tem quinas, acompanha o movimento da circulação e não cria a barreira de ter que desviar dela”. Na decoração do ambiente, a paleta de cores puxa para tons clássicos, como fendi, branco, bége, preto e marrom, conforme o gosto dos moradores, e os adornos aproveitam objetos trazidos de viagens.

O guarda-corpo da escada em vidro prolonga o olhar e aumenta a sala (Henrique Queiroga/Divulgação)
O guarda-corpo da escada em vidro prolonga o olhar e aumenta a sala

Luciana conta ainda sobre outras soluções aplicadas para ampliar a sala. A escada em concreto original da construção foi toda reformulada quanto ao acabamento, recebeu revestimento em madeira, e um novo guarda-corpo em vidro, o grande trunfo. “O olhar atravessa o vidro e enxerga a parede por trás, tirando o empecilho visual desta superfície que fica de frente à porta de entrada. A escada foi um ponto de bastante atenção no projeto, é um foco da composição.” A iluminação lateral com arandelas enfileiradas verticalmente foi especialmente planejada para atrair o observador. Em vez de fechada com armários, a parte sob a escada foi deixada vazada e recebeu um aparador para as fotos da família que, com duas gavetas, também serve para guardar os objetos pessoais do morador assim que ele chega em casa.

A varanda, por sua vez, tem como protagonista a poltrona de balanço Bubble, outro clássico, adquirida pelo casal antes até da mudança para o apartamento, xodó dos dois e uma exigência para a composição – mesmo pendurado no canto, o balanço em acrílico colorido aparece na sala, como tinha que ser. O convidativo assento chama a momentos de descanso do alto da paisagem urbana, criando um espaço de aconchego que envolve pela atmosfera lúdica. “A Bubble é uma unanimidade. Todo mundo gosta, é extremamente atrativa”, comenta Luciana.

Na varanda, a Bubble, clássico do design, convida a momentos de relaxamento (Euler Junior/EM/D.A Press)
Na varanda, a Bubble, clássico do design, convida a momentos de relaxamento

“Neste projeto, não bastaria o espelho. Todas essas soluções dão, em conjunto, a sensação de um espaço maior. Ninguém entra aqui e acha que é um apartamento confinado. Se fosse aquela disposição convencional de sofá de dois, três e uma mesa de jantar pequena, a visita teria o sentimento de estar em um local pequeno.  Mesmo o espaço não sendo imenso, trabalhei com proporções largas. O pendente sobre a mesa de jantar, e a própria mesa, são grandes”, diz a arquiteta. Com o pufe na varanda, são seis lugares auxiliares, ou seja, 13 pessoas acomodadas na sala.

RENOVAÇÃO COMPLETA PRIORIZA ACONCHEGO – A COZINHA

A cozinha foi completamente refeita do projeto da construtora, explica Luciana. Como iria ficar integrada à sala, foi também basicamente pensada em relação ao espaço de circulação, que se desenha no contorno de um U. “A intenção foi ter um ambiente aconchegante, que não tivesse o tom de assepsia, muito branco”, lembra. O silestone marrom nas bancadas, as pastilhas bége, os armários em madeira de tonalidade compatível ao living, cumprem bem este objetivo.

A cozinha foi totalmente refeita para se integrar à sala (Euler Junior/EM/D.A Press)
A cozinha foi totalmente refeita para se integrar à sala

A bancada apóia tanto a cozinha, na hora de um serviço americano, quanto a sala, em um drinque ou um café, e os equipamentos domésticos não deixam a desejar. Duas luminárias de desenho limpo e futurista, já do acervo do casal, pontuam a iluminação na bancada, e concebem um clima descontraído. O cômodo, compacto, esbanja praticidade e não fica atrás das cozinhas maiores, capaz de atender a toda necessidade diária da família.

O banheiro mistura o requinte de um lavabo à praticidade para o dia a dia das crianças  (Henrique Queiroga/Divulgação)
O banheiro mistura o requinte de um lavabo à praticidade para o dia a dia das crianças

DUPLA FUNÇÃO – LAVABO E SOCIAL

O pedido feito para a intervenção no banheiro era agregar as funções de lavabo e social, sendo além disso um local de uso diário dos filhos. O cenário de lavabo é alcançado com o uso dos acabamentos mais nobres, explica a arquiteta, principalmente o revestimento cerâmico que imita papel de parede – um floral clássico em variações de prata, da Eliane Acabamentos.  O requinte da própria estampa ganha força com a cuba quadrada sobreposta em bancada de granito preto São Gabriel (caracterizado por poucas manchas e por ser bem homogêneo) – o arremate de luxo e design surge com o lustre em plafon de cristal em gotas, normalmente usado em áreas sociais.

“O fechamento de uma das metades do box em granito dá a ideia que o banheiro acaba ali, ao mesmo tempo que atende ao banho de duas crianças, não deixando expostas as miudezas deste momento íntimo, as coisas necessárias de todo dia. Um box sem cara de box, um artifício visual”, demonstra Luciana Andrade. Em termos luminotécnicos, a suavidade do lustre de cristal não compete com a luz fria direcionada ao chuveiro. “Muita gente tem medo de usar dois tons de luz juntos, mas acho que não é preciso ter receio nenhum em misturá-los. Neste caso, quando o banheiro é usado como lavabo, se tivesse só com a iluminação fria perderia muito em estética”.

Por: Joana Gontijo – Lugar Certo

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