Investir em imóveis é mais rentável do que fazer aplicações financeiras?


MERCADO

Pesquisa confirma: investir em imóveis é mais rentável do que fazer aplicações financeiras. 

Estudo feito pelo Grupo EPO e Fundação Dom Cabral mostra que apostar no mercado imobiliário traz vantagens maiores do que investimentos como poupança, CDI ou ações.

Uma pesquisa confirmou o que o mercado imobiliário belo-horizontino defende há algum tempo: investir em imóveis é mais rentável do que fazer aplicações em poupança, CDI ou mesmo carteira de ações representada pelo índice da Bovespa (Ibovespa). O levantamento, feito pelo Grupo EPO em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), comparou a taxa de retorno de investimento no mercado imobiliário de BH com o desempenho das principais aplicações financeiras, considerando o período entre janeiro de 2009 a dezembro de 2013. O resultado apontou que o rendimento imobiliário é o mais atrativo, com taxa de 77% de valorização, superior ao CDI, segundo colocado, com 57,7 %. A poupança atingiu 37,8 %, um pouco acima do Ibovespa, com 37,2%.

Como a taxa de retorno do investimento em imóvel foi avaliada considerando não apenas a valorização do bem, mas também os ganhos obtidos com o aluguel, a rentabilidade pode ser ainda maior, chegando a 106,5%. Para Patrícia Becker, gerente de projetos da FDC, trata-se de uma análise histórica de algumas fontes de investimentos, no qual o retorno no mercado imobiliário mostrou-se melhor. “Já foram feitos vários tipos de análise, mas, para esse fim, foi a primeira vez”, afirma a especialista.

Marcelo Carvalho, responsável pela área comercial da EPO, conta que o índice de preço na Região Centro-Sul foi usado como referência (Cristina Horta/EM/D.A Press)
Marcelo Carvalho, responsável pela área comercial da EPO, conta que o índice de preço na Região Centro-Sul foi usado como referência

Segundo Marcelo Carvalho, gerente comercial do Grupo EPO, a ideia é repetir a pesquisa todos os anos. “Se, desta vez, consideramos a partir de 2009, no ano que vem faremos do período de 2010 a 2015. Assim, teremos sempre o comportamento dos cinco últimos anos”, diz.


Os dados referentes à evolução dos preços de imóveis foram retirados do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contáveis (Ipead) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na “Pesquisa Construção e Comercialização: Mercado Imobiliário de Belo Horizonte”. Para o cálculo, foi computado o valor médio de venda (R$/m²), o valor médio do aluguel (R$/m²) e a rentabilidade média do aluguel (%) de salas comerciais e andares comerciais corridos em bairros de luxo da cidade. Como referência, foi empregado o índice de preço na Região Centro-Sul. Para Carvalho, outro dado importante da pesquisa é a média de aluguel com a qual se trabalha hoje, referente a 0,45% do valor do imóvel. “É esse o preço que está sendo praticado, agora que o mercado estabilizou.”

E o ganho pode ser ainda maior para quem compra no pré-lançamento de um empreendimento. Segundo Pedro Damásio, sócio da Talent Construtora, que já vendeu 60% do MedCare, prédio comercial exclusivo para a área de saúde no Vila da Serra, além de ganhar com a valorização do imóvel e com o aluguel, caso opte pela locação do bem, o investidor que prefere imóveis pode ainda ganhar a diferença do valor com o qual comprou e com o qual ele chegou ao mercado. “Quem compra um imóvel ainda em construção paga um preço inferior”, explica. Segundo o construtor, todo empreendimento é lançado com uma margem de lucro, mas durante a obra a tabela vai subindo porque o preço vai sendo ajustado.

Pedro vê claramente dois perfis de investidores: um compra o imóvel no pré-lançamento e o vende assim que fica pronto, lucrando essa diferença do que investiu lá atrás e o que o imóvel vale com a entrega das chaves. Outro compra, ganha a mesma diferença e lucra ainda com o aluguel. Para fugir de uma alíquota máxima de Imposto de Renda, que incidiria sobre o valor recebido pelo aluguel, há investidores que chegam a constituir empresas só para operar esse tipo de receita extra. “O imposto, nesse caso, é menos do que a metade, dependendo do regime de tributação de cada empresa”, conta.

Por: Carolina Cotta – Estado de Minas

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