Número de pessoas com mais de US$ 1 mi deve ficar 18% maior até 2018


Mercado voltado para o segmento de luxo aposta em brilhos no resultado do ano. Setor não sofre recesso.

Miguel Albino calcula que vai bater recorde de vendas neste ano
Miguel Albino calcula que vai bater recorde de vendas neste ano
Em Belo Horizonte, o mercado voltado para o segmento de luxo aposta em brilhos no resultado do ano, ao contrário do esperado para economia do país – a expectativa de alta para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 é de apenas 0,52%. Empresários focados nos produtos exclusivos de alta qualidade, e que prometem experiência única ao exigente consumidor, afirmam que não temem queda de vendas. Muitos, inclusive, apostam em um ano com recordes embalados pelas compras da fatia mais rica e menos sensível à alta de preços e às garras do dragão. Nos últimos quatro anos, o número de pessoas com mais de US$ 1 milhão em Belo Horizonte cresceu 35%. Até 2018, a expectativa é que esse público avance outros 18% na capital, segundo estudos da WealthInsight.

No Brasil, décimo país do mundo em número de milionários, o avanço da fatia mais rica da população não impediu que o mercado de luxo fosse arranhado pela desaceleração da economia. Pesquisa da MCF Consultores mostra que no ano passado o mercado perdeu fôlego. O faturamento em dólares projeta para o fechamento de 2013 (ainda em análise) queda na ordem de 2,9% nacionalmente. Mas, neste ano, especialistas apostam em uma retomada para o país e, em Minas Gerais, a aposta é na demanda firme.

No ano passado, depois de Rio de Janeiro e São Paulo, Belo Horizonte foi considerada a cidade do país mais promissora pelas marcas de luxo para fazerem sua expansão. “Entre 2015 e 2016, deve ser inaugurada na Grande Belo Horizonte unidade do Iguatemi (o grupo anunciou investimento em outlet premium em terreno de Nova Lima no fim do ano passado), com a presença de muitas marcas de luxo”, diz Cláudio Diniz, coordenador da comissão de luxo da Câmara de Comércio França-Brasil e autor do livro O mercado do luxo no Brasil. Segundo ele, mais 78 marcas se instalaram no Brasil nos últimos anos, e o momento agora é de consolidação do mercado, com crescimento em cidades fora do eixo Rio e São Paulo, estados que concentram mais de 70% desse mercado.

“O número de marcas para chegar agora é menor, mas o Brasil está no foco mundial devido ao ritmo de crescimento da economia e da parcela mais rica da população”, garante Diniz. Segundo ele , o país é o terceiro mercado consumidor de marcas como Gucci, de origem italiana, e o sétimo maior consumidor da marca de bolsas Louis Vuitton, sediada em Paris.

Miguel Albino superintendente da Audi Carbel, em Belo Horizonte, diz que cortou o S da palavra crise e, por isso, está batendo recordes de vendas. Segundo ele, o mês passado foi o melhor da história da concessionária e as vendas avançaram 100% no acumulado de janeiro a agosto em relação ao mesmo período de 2013. Apesar de o setor automotivo prever queda de vendas na ordem de 10% este ano no país, ele diz que o seu segmento está fazendo o caminho inverso. Ele vende carros para um público exclusivo, que paga preços que chegam a ultrapassar R$ 900 mil. O modelo mais vendido é o compacto Audi Q 3, de R$ 136 mil.

Para Albino, a alta nas vendas em um cenário adverso tem a ver com a faixa de renda de seu público consumidor, com estratégias de marketing da empresa, mas também com facilitadores de pagamento. Ele conta que a empresa inovou dividindo o pagamento do carro em três vezes, sendo 20% de entrada, 50% em 24 meses e outros 30% divididos em 24 meses. Com taxas de juros do mercado, é claro. “Nosso público é bem informado e, quando o parcelamento é vantajoso, ele opta por essa forma de pagamento. Nossa meta é fechar o ano com recorde de vendas”, diz.

Cláudio Diniz aponta que o parcelamento é uma característica peculiar do mercado brasileiro à qual as grandes marcas já se adaptaram. Segundo ele, ao contrário do que muitos podem pensar, o mercado não é movido apenas pelos milionários em ascensão, mas também pelos relativamente pobres (se comparado aos milionários), vindos da classe B, por exemplo. “O milionário pode comprar uma Ferrari no valor de R$ 1,8 milhão e ter essa experiência. A classe média também participa desse mercado, adquirindo um boné de R$ 720, pago em 10 vezes”, aponta.

Sofisticados

Tradução do luxo, as joias são símbolo do mercado exclusivo. Manoel Bernardes, presidente da joalheira de mesmo nome, considera que o mineiro, assim como o brasileiro, ainda está sendo educado para esse mercado. Segundo ele, o momento agora é de consolidação e até de revisão de investimentos por parte de grandes grupos do segmento. A joalheira apostou em complexo de luxo no BH Shopping com lojas de grifes selecionadas, como Breitling, Bvlgari, Cartier, Montblanc, Omega e Rolex. Para este ano, a expansão projetado pela joalheira está na ordem de 3%.

Elaine Takahashi, franqueada das unidades imobiliárias da Re/Max Mix, no Bairro de Lourdes e Re/Max Galaxy, no Vila da Serra, diz que não há crise para o mercado exclusivo. Segundo ela, esse é um segmento seleto e que se mantém, já que Belo Horizonte enfrenta a escassez de terrenos em bairros nobres, o que contribui para reduzir a oferta. “A oferta, assim como o público, é exclusiva. Às vezes, é difícil conseguir atender um cliente que quer um imóvel com características definidas, em pontos específicos e padrão de altíssimo luxo. Para muitos, o preço não é importante, desde que o desejo seja atendido.” Segundo Takahashi, este ano o segmento vai fechar no azul.

Apesar de São Paulo ter o maior número de milionários do país, estudos da WealthInsight apontam que, entre 2007 e 2011, Belo Horizonte teve o maior crescimento nacional na população de ultrarricos, que estão pouco abaixo dos bilionários, alcançando, aproximadamente, 330 pessoas. “A razão de uma diferença significativa entre Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro é que a maior parte dos milionários faz sua riqueza no setor financeiro, que é principalmente sediado em São Paulo”, ressalta Tom Carlisle, analista da consultoria inglesa.

 

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