Vetor Norte de BH continua no foco dos empresários


Vetor Norte

Vetor Norte e o entorno de Confins entra no foco dos empresários e recebe investimentos

Empresas investem na criação de estacionamentos e hotéis nas proximidades do terminal em busca dos clientes.

De olho no crescimento do número de passageiros do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Grande BH, nos últimos anos, empresas investem na criação de estacionamentos e hotéis nas proximidades do terminal em busca dos clientes, aproveitando as brechas deixadas pela Infraero. Os empreendimentos caçam as oportunidades geradas, no rastro do crescimento do número de passageiros nos últimos anos.

Os empreendimentos estão espalhados em cidades vizinhas ao aeroporto, como Lagoa Santa, Vespasiano, Confins e Pedro Leopoldo. Situado às margens da LMG-800, rodovia que dá acesso ao aeroporto, o Hotel Super 8 ganha pontos no quesito visibilidade. Inaugurado em dezembro, a unidade já funciona com 70% de ocupação média em seus 100 quartos, tendo como foco principal o público corporativo. “O perfil do nosso cliente é daquela pessoa em viagem, que precisa de um lugar para descansar”, afirma o executivo Rodrigo Mangerotti. Aproximadamente dois em cada três são de turismo de negócio.

Ele explica que o conceito da rede se assemelha ao dos motéis de beira de estrada dos Estados Unidos, onde os viajantes acham bom custo-benefício para ficar por uma noite. “Buscamos o cliente que quer um bom apartamento sem pagar caro”, diz ele, que logo reitera que para ter diárias atrativas “não economiza no conforto e nos serviços, tendo itens que não se encontra em pousadas”. Em dias úteis, a diária é de R$ 178, enquanto nos finais de semana cai para R$ 138.

No miolo de Lagoa Santa, o Ramada Airport acompanhou desde a sua implantação, há seis anos, o crescimento do movimento de passageiros. E desfruta dos clientes gerados pelo aeroporto. “Antes tinha outra realidade. O hotel se instalou apostando em um crescimento da região e expandiu junto com o aeroporto”, afirma gerente da unidade, Robson Silva. Além dos passageiros, o hotel se beneficia da parceria com as companhias aéreas. Tripulantes de Azul, TAM, Gol e Copa se hospedam lá. Com isso, cerca de 40% do público diário é vinculado a uma das empresas aéreas. Outros hotéis também mantêm esse tipo de contrato.

Isso faz com que o estabelecimento tenha alta rotatividade. O tempo médio de estadia dos 140 quartos é de 1,15 dia. Segundo Silva, a estatística se explica pelo perfil do cliente. A maior parte é aquele que prefere ficar próximo ao aeroporto para o caso de voos logo na manhã do dia seguinte. Ou seja, o passageiro chega de viagem e vai para Belo Horizonte e retorna ao hotel à noite. Com isso, pela manhã, ele não precisa enfrentar o trânsito até o aeroporto, distante mais de 40 quilômetros do Centro da capital.

Aerotrópolis

Os investimentos em hotéis e estacionamentos ajudam a compor o redesenho da região depois do aumento do número de voos do aeroporto. A proposta é que a região forme uma aerotrópolis (cidade-aeroporto), com empresas de setores variados se deslocando para lá devido à proximidade com o aeroporto de Confins. É o caso do grupo Hermes Pardini, que transferiu para Vespasiano sua sede em busca da maior proximidade com o aeroporto.

A rede presta serviço para todos os estados do país, sendo que 70% dos exames são feitos fora de Minas, segundo o diretor-presidente do Hermes Pardini, Roberto Santoro. Os materiais chegam de outros laboratórios na unidade mineira para serem examinados. A proposta é que eles sejam devolvidos com rapidez. Por isso, a proximidade com o aeroporto facilita o transporte. Ele explica que, por ser mais especializado que outros laboratórios, o Hermes Pardini é procurado para terceirizar o serviço, entregando o resultado em menos tempo. São feito exames de DNA, toxicologia, hormônios, entre outros. “Prestamos um serviço que é extremamente dependente de logística. O modal aéreo é o mais usado”, afirma Santoro.

Traslado para fazer a diferença

Um diferencial importante adotado por quase todos os estacionamentos e hotéis próximos ao aeroporto é o transfer para o terminal de passageiros. Cada estabelecimento define suas regras. Em alguns casos, vans saem a cada hora, mas na maioria é só o cliente solicitar que o veículo sai imediatamente. No estacionamento Air Park, em Vespasiano, distante 11 quilômetros do terminal, são seis vans que levam e buscam os clientes por 24 horas. Em 10 minutos o passageiro está no saguão pronto para embarcar. E a diária também é um pouco mais barata – R$ 27 ante a R$ 30, do estacionamento do aeroporto.

Segundo o proprietário, Luciano Rodrigues, apesar de estar fora do aeroporto, os clientes dos estacionamentos ganham em conforto. Isso porque, caso tenham que parar o carro no estacionamento (mais distante do terminal), o passageiro tem que caminhar por alguns minutos em área aberta, sob sol ou chuva, enquanto a van o deixa em local próximo ao saguão.

O público principal da unidade é corporativo, mas, nas férias, o tempo de parada é maior, aumentando o valor das diárias. Segundo ele, famílias vão para o exterior por uma semana e deixam o carro no estacionamento até a volta. Pelos cálculos, o preço de uma corrida de ida e outra de volta de táxi para Confins custa aproximadamente R$ 240. O valor é o equivalente ao de oito diárias.

Apesar de a oferta de vagas hoje no complexo aeroportuário parecer insuficiente, com a concessão do aeroporto, a operadora que substituirá a Infraero na administração de Confins terá a obrigação de ampliar o número de vagas e melhorar o serviço. Atualmente, são 3,45 mil vagas. Até 2043, final do contrato, serão 12,7 mil. O número de vagas existentes hoje corresponde ao total que será necessário só para os funcioJnários. A área total quintuplicará. Mas o empresário Luciano Rodrigues afirma que, se, por um lado, a ampliação de vagas pode aumentar a concorrência, por outro, a construção de edifício-garagem pode ampliar o custo operacional, o que acaba por beneficiar os empreendimentos ao redor do aeroporto.

Outra brecha deixada pela Infraero para aumentar a receita do aeroporto é quanto a construção de um hotel. A estatal tinha previsto uma unidade até a Copa do Mundo. A licitação inclusive chegou a ser concluída. Mas o projeto não saiu do papel. A tendência é que a concessionária erga pelo menos uma unidade, com o objetivo exatamente de suprir a necessidade de passageiros e tripulantes. Com isso, eles não precisariam nem mesmo sair do terminal de passageiros.

 

Por: Pedro Rocha Franco – Estado de Minas

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