Mercado imobiliário em Minas, o que esperar para 2015?


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Mercado imobiliário em Minas, o que esperar para 2015?

 O novo presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG) , Otimar Bicalho, pretende que a sua gestão seja marcada por um amplo conhecimento do mercado. Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE, o presidente da CMI apesar de apontar a Copa do Mundo e outros fatores pela estagnação do setor, acredita que as pessoas não deixarão de adquirir imóveis, mas apenas estão adiando a compra.
JORNAL DA CIDADE  O senhor foi eleito para estar à frente da CMI/Secovi-MG até 2016. Quais são os planos da sua gestão para a entidade?
Otimar Bicalho Para a gestão 2014/2016, os planos que idealizei foram os de aprofundar ainda mais o conhecimento no mercado imobiliário como um todo. Estabelecemos as metas de acompanhar de perto o número de projetos arquitetônicos aprovados pela Prefeitura de BH, o volume de vendas, as tendências de preços e oferta de imóveis, todos os números embasados por pesquisas de mercado. Além disso, vamos focar no fornecimento desses dados para as empresas que integram a CMI/Secovi-MG, a fim de que elas tenham material suficiente para atuarem de maneira ainda mais eficiente, além de fornecer informações relevantes para a população em geral.
Como o senhor avalia, atualmente, o mercado imobiliário?
O mercado imobiliário está com mais oferta que compradores. Essa realidade que vivenciamos é influenciada, principalmente pela insegurança gerada pela economia nacional. Estamos acompanhando uma queda da expectativa na economia, no PIB e, além disso, outros fatores como as eleições e a Copa do Mundo paralisaram o mercado.  Hoje, vivemos um momento instável e de dúvidas em relação às eleições, que vêm se aproximando. No entanto, não estamos notando uma queda nos preços, mas sim que está havendo uma estabilização em todo o mercado.
Quais as principais dificuldades enfrentadas pelo setor?
As grandes dificuldades que enfrentamos estão na parte burocrática dos processos que regem os empreendimentos. Ao comprar um lote, o empreendedor gasta em torno de seis meses —na melhor das hipóteses— para aprovar um projeto na prefeitura. Então, com esse cenário que vivemos atualmente de estabilidade nas vendas, os prazos muito longos acabam dificultando ainda mais a maturação dos empreendimentos. Outros fatores que incidem nesse processo e que ocorrem depois do período de construção são os documentos obrigatórios, que tramitam por cerca de quatro meses para colocar os imóveis à disposição do mercado. Depois da obra pronta é necessário tirar o habite-se, fazer o registro em cartório, solicitar à prefeitura a individualização do IPTU dos imóveis e, posteriormente, pedir o ITBI e realizar a escrituração do empreendimento. Um período de cerca de um ano de processos burocráticos tem se tornado um grande empecilho para a movimentação do mercado em Minas Gerais.
O mercado mineiro tem crescido no ritmo esperado?
O mercado mineiro está acompanhando o mesmo ritmo de crescimento da média nacional. Observamos que a redução na decisão de fechamento de negócios é um problema nacional. Os clientes têm procurado por imóveis, porém acabam não fechando tão rapidamente devido a fatores como a instabilidade da economia, e por acreditarem que os preços não vão subir e  por isso, podem postergar a compra. Além disso, há grande dificuldade na aprovação do cadastro, pois as pessoas têm se endividado com prestações de carro, cartão de crédito, o que também dificulta na hora de decidir em adquirir um imóvel e uma nova prestação. Isso não significa que as pessoas não vão comprar imóveis, mas elas não estão com tanta pressa como em outros períodos que vivenciamos, anteriormente no mercado imobiliário.
O perfil do comprador de imóvel vem mudando ao longo dos anos. Hoje temos um perfil de pessoas mais novas que adquirem um imóvel. O que o senhor atribui essa mudança?
Eu acredito que o perfil de compradores realmente tenha mudado, mas não somente para pessoas mais novas e, sim, para as solteiras. Atualmente, a própria sociedade tem modificado os valores. Antes, comprar um carro era prioridade, hoje as pessoas começam a trabalhar mais cedo, ganham dinheiro mais cedo o que faz com que elas queiram sair da casa dos pais e ter maior independência. Por isso, o mercado tem recebido grande demanda de clientes solteiros (além dos jovens, viúvos e divorciados). Observamos procura de estudantes que vêm morar em Belo Horizonte e querem ter o próprio apartamento. O mercado para idosos também está em franca expansão, pois são clientes com potencial econômico. Alguns fatores favorecem o setor de jovens, como o fortalecimento da divulgação dos imóveis por meio da mídia digital. Antigamente, os clientes chegavam a um imóvel por meio de anúncios em jornal. Agora, grande parte das divulgações é feita em sites e redes sociais, o que privilegia o cliente mais jovem, que está mais atualizado e adaptado a esse meio.
A Copa do Mundo trouxe algum benefício para o setor?
Em minha opinião, a Copa do Mundo não trouxe benefícios para o setor, pelo contrário, o que notamos foi uma paralisia no mercado imobiliário neste período. Isto ocorreu pelo fato de as pessoas terem deixado a decisão de adquirir o imóvel para depois da Copa. O mercado de locação também não foi afetado positivamente pelo Mundial, uma vez que grande parte dos estrangeiros que vieram ao Brasil acabou optando por acampamentos coletivos.
Para 2015, quais as expectativas para o mercado imobiliário?
Acredito que 2015 será bem melhor do que 2014 para o mercado imobiliário. Neste ano, notamos um crescimento irregular das vendas, especialmente no período da Copa do Mundo seguido do movimento político de eleição. Em 2015, há grandes perspectivas de mudanças em função da possibilidade de reeleição de Dilma Rousseff ou eleição de um novo presidente, que será cobrado para realizar reformas políticas e tributárias.  Nossas expectativas são de crescimento entre 30% a 40% em relação a 2014. Atualmente, temos notado que a quantidade de projetos arquitetônicos aprovados pela prefeitura de BH tem caído. No entanto, acredito que ano que vem haja uma retomada dos lançamentos, da procura por imóveis e, consequentemente, quando há mais demanda a tendência é de alta nos preços.
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